O colapso no sistema de saúde da Venezuela ganhou um contorno dramático neste sábado (27/6). Diante da superlotação dos hospitais provocada pelos fortes terremotos que atingiram o país, parentes das vítimas estão sendo obrigados a transportar os corpos de seus entes queridos por meios próprios até o necrotério central de Caracas, onde veículos carregados de cadáveres aguardam do lado de fora.
Os abalos sísmicos de magnitude 7,2 e 7,5, registrados na última quarta-feira (24/6), devastaram a região. Segundo o balanço oficial do governo emitido às 14h20, a tragédia já contabiliza 1.430 mortos, mais de 3.000 feridos e cerca de 3.100 desabrigados. O epicentro dos tremores foi a cidade de La Guaira.
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“Os mortos estavam no chão”, relatou Yessica Mendoza, que chegou ao necrotério de madrugada conduzindo o corpo da filha em um veículo particular, devido à escassez de serviços funerários.
A filha de Yessica, Yesimar Rodríguez, de 25 anos, e o genro, Jhomel Anaya, de 26, faleceram após o desabamento do edifício onde residiam em La Guaira. O corpo do rapaz foi localizado na quinta-feira, enquanto o de Yesimar foi resgatado na sexta-feira (26/6).
A gravidade da situação é visível nos arredores do Serviço Nacional de Medicina Legal da Venezuela. Em um intervalo de apenas uma hora, a reportagem da AFP presenciou a chegada de ao menos três caminhonetes particulares transportando corpos envoltos em sacos e lençóis, exalando forte odor de decomposição.
Sob condição de anonimato, um funcionário do órgão informou que a unidade recebeu pelo menos 200 corpos desde a sexta-feira. A saturação do necrotério reflete a crise nos centros de atendimento locais, como o hospital Catia la Mar, em La Guaira, que já não tem capacidade para reter as vítimas.




