O presidente Luiz Inácio Lula da Silva reúne nesta sexta-feira (10/07), no Palácio do Planalto, ministros, representantes da Vale, do BNDES e especialistas para discutir a estratégia do governo para os minerais críticos e estratégicos, considerados essenciais para a transição energética e para indústrias de alta tecnologia.
O encontro ocorre em um momento em que o governo busca consolidar uma política para o setor e acompanha a tramitação do projeto que cria a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos, já aprovado pela Câmara dos Deputados e atualmente em análise no Senado.
Minerais como lítio, níquel, cobalto e terras raras são utilizados na fabricação de baterias para veículos elétricos, painéis solares, turbinas eólicas, semicondutores e outros equipamentos ligados à economia de baixo carbono e à indústria de tecnologia.
Entre os principais temas da reunião estão formas de ampliar a agregação de valor à produção mineral no Brasil, incentivar investimentos na cadeia industrial, fortalecer o financiamento de projetos e discutir medidas para tornar mais previsível o licenciamento ambiental de empreendimentos considerados estratégicos.
A expectativa também é de que o governo alinhe sua estratégia para ampliar a participação do país nas cadeias globais de produção desses minerais, reduzindo a exportação de matéria-prima sem processamento e estimulando etapas industriais em território nacional quando houver viabilidade econômica.
O encontro contará com a participação do vice-presidente Geraldo Alckmin, de ministros de áreas como Fazenda, Minas e Energia, Desenvolvimento, Planejamento, Meio Ambiente e Relações Exteriores, além do presidente do BNDES, Aloizio Mercadante.
A Vale, uma das maiores mineradoras do mundo, será representada pelo vice-presidente executivo técnico, Rafael Bittar. Também participam pesquisadores da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP), que desenvolvem estudos sobre industrialização mineral e competitividade do setor.
O governo considera os minerais críticos um dos pilares da estratégia brasileira para a transição energética, com potencial para atrair investimentos em segmentos como baterias, veículos elétricos, energia renovável e outros setores de alta tecnologia. A reunião também deve servir para alinhar a atuação dos diferentes órgãos federais antes do avanço da proposta no Congresso e da futura regulamentação da política nacional para o setor.
Negociação com os EUA
Os minerais críticos passaram a ocupar posição estratégica nas relações comerciais entre Brasil e Estados Unidos. Em meio a discussões sobre tarifas e barreiras comerciais, Washington demonstra interesse em ampliar o acesso a recursos essenciais para setores como tecnologia, defesa, baterias e transição energética, em um movimento ligado à tentativa de reduzir a dependência de cadeias produtivas concentradas na Ásia, especialmente na China.
Esse cenário amplia o poder de negociação do Brasil, que possui reservas relevantes de minerais como lítio, terras raras e nióbio. O governo brasileiro avalia que o interesse internacional por esses recursos pode ser usado para atrair investimentos, ampliar a industrialização no país e buscar melhores condições comerciais para produtos brasileiros exportados aos Estados Unidos.
Entre as possibilidades em debate está a vinculação de acordos de fornecimento de minerais críticos a compromissos de investimento em processamento e agregação de valor no Brasil. A estratégia seria evitar que o país atue apenas como fornecedor de matéria-prima e ampliar a participação brasileira nas etapas mais lucrativas das cadeias globais de tecnologia e energia limpa.
A disputa geopolítica envolvendo Estados Unidos e China também aumenta a relevância dos recursos brasileiros. Ao mesmo tempo em que Washington busca parceiros considerados confiáveis para garantir o abastecimento de minerais estratégicos, o Brasil tenta preservar sua autonomia comercial e negociar investimentos e acesso a mercados sem restringir suas relações com outros países.
Leia mais: Em audiência nos EUA, Flávio Bolsonaro critica tarifaço e diz que medida beneficia Lula




