Uma fotografia em que o senador Flávio Bolsonaro aparece ao lado de Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, apelidado de Sicário, colocou o pré-candidato à Presidência no centro de uma controvérsia. A Polícia Federal identificou Mourão como o responsável pela coordenação do grupo A Turma, apontado como milícia privada do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.
A assessoria de imprensa de Flávio declarou que o senador desconhece e jamais teve contato com a pessoa retratada na imagem. Em vídeo, o próprio Flávio afirmou: “Eu sou muito bem recebido por onde eu passo, tiro foto com todo mundo que me pede. Eu não tenho como saber quem é aquela pessoa que está tirando foto comigo, né?”
A assessoria também levantou a hipótese de que a imagem poderia ter sido produzida por inteligência artificial. No entanto, ferramentas de detecção de IA usadas pelo site ICL encontraram sinais de manipulação, e a verificação feita pelo g1 com ferramentas de checagem não confirmou que a foto fosse falsa. A autenticidade da imagem, portanto, permanece sem conclusão técnica definitiva.
Quem era Sicário
De acordo com a Polícia Federal, o apelido Sicário — termo que designa assassino de aluguel — era utilizado por Luiz Phillipi Mourão. Sua prisão ocorreu durante a 3ª Operação Compliance Zero, deflagrada pela PF em março de 2026. Já detido, Mourão atentou contra a própria vida na cela onde estava recolhido, e investigadores confirmaram sua morte cerebral dias depois.
A PF apontou Sicário como líder do grupo A Turma, descrito como milícia privada a serviço de Vorcaro.
O filme e o dinheiro
A ligação entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro ganhou novos contornos em maio de 2026, quando o Intercept Brasil revelou tratativas em torno do financiamento do filme Dark Horse, longa-metragem dedicado à trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro. As informações foram posteriormente confirmadas pela TV Globo.
Conforme o Intercept Brasil, Vorcaro destinou ao projeto investimentos da ordem de R$ 61 milhões, distribuídos entre fevereiro e maio de 2025. Flávio admitiu ter buscado o banqueiro para captar recursos para a produção, mas rejeitou qualquer irregularidade: segundo ele, os contatos com Vorcaro se restringiam ao financiamento do filme e não havia qualquer relação espúria com o banqueiro.
Na prática, o caso reúne três linhas distintas: a foto com o miliciano, a morte de Sicário após a prisão e o financiamento do filme por um empresário investigado pela PF. Flávio nega conexão entre elas.




