A vereadora Malu Fernandes (PL), de Mogi das Cruzes (SP), acionou a Justiça nesta sexta-feira (17/07) contra o ex-namorado Mario Luiz Moreno Junior, conhecido como Junior Moreno, por suposto descumprimento de medida protetiva concedida há dois meses. Segundo a defesa da parlamentar, o empresário teria vazado à imprensa, de forma distorcida, informações de um processo que tramita sob segredo de Justiça. Os advogados pedem o reforço das medidas cautelares, com previsão de multa e até prisão em caso de descumprimento.
Malu e Junior Moreno mantiveram um relacionamento de aproximadamente um ano. Após o fim do namoro, a vereadora afirma que passou a ser alvo de perseguições, ameaças e violência psicológica. Segundo seu relato, o ex-companheiro tentou reatar o relacionamento e, diante da recusa, passou a fazer ameaças contra ela e contra seu mandato na Câmara Municipal.
De acordo com a parlamentar, Junior Moreno teria dito frases como “vou acabar com a vida da Malu”, “vou acabar com o mandato dela” e “vou acabar com ela e com quem estiver ao lado dela”. As declarações motivaram o registro de notícia-crime por ameaça, violência política de gênero e violência doméstica.
A defesa também cita episódios ocorridos em 29/4/2025, quando o empresário teria coagido um assessor da vereadora, e em 19/9/2025, quando ela afirma ter recebido ameaças de morte em um local público. Segundo os advogados, os episódios fazem parte de uma campanha de difamação contra a parlamentar.
Em maio de 2026, a juíza Larissa Boni Valieris, da 3ª Vara Criminal de Mogi das Cruzes, concedeu medida protetiva em favor da vereadora. Na decisão, a magistrada afirmou que as declarações atribuídas a Junior Moreno “configuram ameaça concreta e idônea” e indicam risco à integridade física e psicológica da parlamentar diante do histórico de perseguição e intimidação.
Com base na Lei Maria da Penha, a decisão proibiu o empresário de manter qualquer tipo de contato com Malu, frequentar os mesmos locais que ela e se aproximar a menos de 200 metros, sob pena de responder por desobediência e prisão. O Ministério Público também requereu a instauração de inquérito policial para apurar os fatos.
Malu é suspeita de ter invadido a residência do ex-namorado e danificar objetos. Segundo a defesa da vereadora, após ser informado da medida protetiva, Junior Moreno alterou um boletim de ocorrência registrado em setembro de 2025 sobre uma suposta invasão à sua residência. Quase um ano depois, ele passou a atribuir o episódio à ex-namorada, afirmando que ela teria entrado no imóvel e danificado objetos pessoais.
A defesa de Malu nega a acusação e afirma que as informações foram repassadas à imprensa na quinta-feira (16/7), durante o lançamento da pré-candidatura da vereadora a deputada estadual, quando ela não teria condições de responder às alegações.
Os advogados sustentam que houve “vazamento seletivo e distorcido” de informações protegidas por segredo de Justiça e que a conduta viola as determinações da medida protetiva. Segundo a defesa, imagens de câmeras de segurança foram divulgadas de forma parcial para sustentar uma versão que classificam como falsa e difamatória.
Diante disso, a defesa voltou a acionar a Justiça nesta sexta-feira (17/7). Os advogados pedem que as medidas protetivas sejam ampliadas para proibir Junior Moreno de divulgar ou fornecer informações sobre Malu Fernandes à imprensa ou em plataformas digitais. Também solicitaram a decretação de prisão preventiva em caso de reincidência.
Em nota, a vereadora afirmou que o episódio representa uma nova forma de violência psicológica e política de gênero. “Até então, eu não havia falado em público sobre a medida protetiva que consegui contra o meu agressor. A mentira divulgada à imprensa me obrigou a expor um assunto da minha vida privada. Espero que a Justiça, mais uma vez, tome as providências cabíveis”, declarou.
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