A Justiça dos Estados Unidos barrou a compra da Warner Bros. Discovery pela Paramount. Nesta segunda-feira (20/07), uma magistrada federal com sede em Oakland, Califórnia, determinou a suspensão temporária da fusão das duas empresas.
A transação, estimada em US$ 110 bilhões (aproximadamente R$ 562 bilhões), foi bloqueada em resposta a um processo judicial encabeçado pela Califórnia e apoiado por outros 11 estados norte-americanos.
A coalizão sustenta que “a fusão pode reduzir a concorrência e prejudicar os consumidores”. O grupo de estados também argumenta que, caso a operação fosse concluída antes do julgamento, a Paramount poderia antecipar demissões e compartilhar informações estratégicas sensíveis.
A Paramount, em resposta, defendeu a legalidade da operação, sustentando que “a ação dos estados interpreta de forma equivocada as leis antitruste dos Estados Unidos”.
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O que está em jogo
Anunciada em fevereiro, a operação, se aprovada, daria origem a um dos maiores conglomerados de entretenimento do planeta. Sob um mesmo grupo, estariam reunidas propriedades como HBO, CNN, DC Comics, Harry Potter, Game of Thrones, CBS, Paramount Pictures e Nickelodeon.
A empresa resultante contaria com uma base de aproximadamente 200 milhões de assinantes em plataformas de streaming, colocando-a em nível comparável ao de Netflix e Disney.
A família Ellison, controladora da Paramount, passaria a comandar marcas como CNN, CBS News e 60 Minutes, entre outras.
Para o consumidor brasileiro que assina plataformas de streaming, uma fusão desse porte pode significar menos opções de serviços e, potencialmente, preços mais altos, exatamente o que os estados americanos dizem querer evitar.
Resistência dentro e fora dos EUA
A suspensão judicial é o revés mais recente de uma série de obstáculos regulatórios. Os procuradores-gerais da Califórnia, de Nova Iorque e do Oregon já haviam iniciado uma ofensiva para barrar a fusão antes da decisão desta segunda.
No cenário internacional, a Comissão Europeia postergou seu veredicto sobre as concessões apresentadas pela Paramount, enquanto o Reino Unido sinalizou a possibilidade de intervir na transação, citando preocupações relacionadas à concorrência e ao mercado de streaming.
O acordo também enfrenta críticas de atores, roteiristas, donos de cinemas e outros profissionais da indústria. Esses grupos temem cortes de postos de trabalho e redução no número de filmes produzidos, segundo informações da Reuters.




