O vereador Alexandre Frota (PDT), de Cotia (SP), anunciou em rede social que vai quitar a dívida do jornalista Luan Araújo, condenado por difamação contra a ex-deputada federal Carla Zambelli (PL). A oferta surgiu depois que a Justiça de São Paulo transformou a obrigação financeira em pena de prisão, diante da alegação de que Araújo não teria como pagar o valor integral.
O montante em disputa é de R$ 2.216,30. Segundo a defesa, o pedido para quitar a dívida em parcelas foi indeferido. O juiz José Fernando Steinberg então converteu a prestação pecuniária — modalidade de pena que substitui a prisão por pagamento — em pena privativa de liberdade.
Frota deixou o comentário diretamente em uma publicação de Araújo nas redes sociais. Ele disse que vai pagar a multa e pediu ao jornalista que orientasse o advogado a entrar em contato. O ex-deputado também fez críticas à ex-parlamentar, afirmando que ela segue cometendo “atrocidades”.
O advogado Renan Bohus, que representa Araújo, informou que o cliente não possui condições financeiras de arcar com o valor integral da condenação. Bohus também destacou que Luan foi condenado por crime contra a honra, não por crime cometido com violência ou grave ameaça — argumento que deve embasar o pedido de habeas corpus previsto para a segunda-feira (08/06).
Na prática, a distinção importa porque crimes sem violência ou ameaça grave costumam ter tratamento diferente na análise de medidas alternativas à prisão.
Contexto: o episódio de 2022
A condenação tem origem em um texto que Araújo publicou na internet sobre um episódio ocorrido em 2022, quando Zambelli apontou uma arma em sua direção. O caso gerou repercussão nacional à época.
Na véspera das eleições de 2022, a deputada se envolveu em uma discussão política com Luan nas ruas de São Paulo. Após tropeçar e cair sozinha durante o bate-boca, a parlamentar e seu segurança sacaram armas de fogo e perseguiram o jornalista pelas ruas, havendo inclusive um disparo que não atingiu ninguém.
A perseguição terminou dentro de um bar, onde Zambelli encurralou Luan com a pistola em punho, exigindo que ele deitasse no chão e pedisse desculpas. Pelo episódio, ocorrido em um período de proibição eleitoral do porte de armas, o STF tornou a deputada ré pelos crimes de porte ilegal de arma e constrangimento ilegal.
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