Waldirene Nogueira, primeira mulher trans brasileira a realizar procedimento cirúrgico de redesignação sexual, morreu na terça-feira (19) aos 80 anos em Ubatuba, no litoral norte paulista. A causa foi insuficiência respiratória aguda, segundo informações da família.
O velório acontece na manhã desta quarta-feira (20), a partir das 7h, no Memorial Santa Izabel em Lins (SP), sua cidade natal no interior do estado de São Paulo. O sepultamento está marcado para as 17h no Cemitério da Saudade.
Cirurgia em 1971
Nascida em 1945 na cidade de Lins (SP) e registrada como Waldir Nogueira, Waldirene iniciou acompanhamento médico em 1969 com a endocrinologista Dorina Epps no Hospital das Clínicas de São Paulo.
Após dois anos de avaliações médicas e psicológicas, ela obteve o laudo oficial que reconhecia sua identidade de gênero. O procedimento cirúrgico foi realizado em 1971 pelo médico Roberto Farina, que posteriormente foi condenado a dois anos de reclusão por lesão corporal gravíssima — na época, a cirurgia não era regulamentada no Brasil.
Batalha de quatro décadas por documentos
A conquista da cirurgia não garantiu a Waldirene o direito de ter sua identidade reconhecida oficialmente. Ela enfrentou décadas de batalha judicial para alterar nome e gênero em seus documentos.
Em 1976, cinco anos após o procedimento, foi levada coercitivamente ao Instituto Médico Legal (IML) e submetida a exames invasivos.
Somente em 2010, aos 65 anos, conseguiu a retificação da certidão de nascimento. O novo RG foi emitido no ano seguinte, em 2011 — 39 anos após a cirurgia.
Waldirene trabalhou como manicure e era formada em contabilidade.




