A morte do empresário Adalberto Amarílio dos Santos Júnior completa um ano neste sábado (30/05), mas a Polícia Civil ainda não descobriu quem matou a vítima ou a motivação do crime. O empresário ficou desaparecido por quatro dias, e o corpo dele foi encontrado em 3 de junho de 2025, dentro de um buraco com 2 metros de profundidade, localizado em um canteiro de obras próximo ao Autódromo de Interlagos, na Zona Sul de São Paulo.
O carro de Adalberto estava estacionado no local. O corpo estava com um capacete, as mãos para cima, uma jaqueta e cueca. O cadáver não apresentava lesões aparentes, vestígios de sangue, ferimentos ou fraturas.
O laudo da Polícia Técnico-Científica concluiu que o empresário teve morte violenta por asfixia. A principal hipótese do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), responsável pela investigação, é de que ele tenha entrado em uma área restrita do kartódromo e discutido com um segurança. Mas a solução do crime se tornou complexa, já que ele não foi registrado por câmeras de segurança, não tem testemunhas ou qualquer registro.
Em nota, a Secretaria de Segurança Pública (SSP-SP) informou que “todas as circunstâncias do caso estão sendo investigadas” e que “durante as diligências, a equipe do DHPP cumpriu mandados de busca e apreensão, que resultaram na apreensão de celulares encaminhados para perícia. O laudo técnico referente à extração de dados dos aparelhos está em andamento e, assim que concluído, será analisado pela autoridade policial”.
Depoimento
No dia 26 de março, um homem que trabalhava como segurança no Autódromo de Interlagos no dia em que a vítima desapareceu foi conduzido para prestar depoimento. Na ocasião, a Polícia Civil também cumpriu um mandado de busca e apreensão e levou o aparelho celular dele, que está sendo analisado.
Cronologia do desaparecimento
Adalberto e um amigo participaram de test drives de motocicletas entre 14h30 e 17h no dia 30 de maio. Às 17h15, os dois compareceram a uma ativação de motocross dentro do evento. Às 19h45, foram assistir ao show do cantor Matuê.
O show terminou às 21h. Os dois se despediram às 21h15. O amigo deixou o Autódromo de Interlagos às 22h30. Ele chegou em casa às 23h e adormeceu.
Por volta das 2h de sábado (31/05), o amigo recebeu uma mensagem da esposa do empresário perguntando sobre o paradeiro do marido.
Adalberto e o amigo mantinham o mesmo interesse por motocicletas. Eles participavam de um grupo de WhatsApp chamado “Renatinha Motoqueirinha”. No grupo, organizavam passeios e conversavam diariamente.
Durante o evento, os dois tomaram café em um dos quiosques. O empresário sugeriu que os dois tomassem uma cerveja. Eles beberam cerca de oito cervejas.
Durante a apresentação do cantor Matuê, Adalberto e o amigo teriam usado maconha. A substância foi adquirida de estranhos no local pelo próprio empresário.
Conforme o depoimento, Adalberto estava alcoolizado e alterado. A combinação da maconha com a cerveja o deixou “mais agitado que o normal”. Não houve brigas, desentendimentos ou qualquer outra situação que pudesse trazer problemas, relatou o amigo.
Adalberto alegou que precisava ir embora para jantar com a esposa. O amigo permaneceu no evento. Ele comeu um hambúrguer e tomou refrigerante.
No domingo (01/06), dia seguinte ao desaparecimento de Adalberto, o amigo que prestou depoimento foi abordado por quatro indivíduos armados. Os criminosos estavam em duas motos. A motocicleta do amigo foi roubada. O celular e o capacete dele também foram levados.
Os aparelhos celulares apreendidos serão periciados. Novos depoimentos serão coletados como parte das investigações.




