O conglomerado financeiro do Banco Master registrou ativos de R$ 82 bilhões em 2024. O montante representa crescimento de 2.122,8% em relação aos R$ 3,7 bilhões contabilizados em outubro de 2019, quando Daniel Vorcaro assumiu o controle efetivo da instituição. Vorcaro havia adquirido o banco em 2018.
A expansão patrimonial elevou o grupo da 90ª posição entre os maiores ativos do sistema financeiro brasileiro em dezembro de 2019 para a 23ª colocação em 2024. O Banco Regional de Brasília (BRB), que ocupava a 39ª posição em 2019 com R$ 16,7 bilhões em ativos, passou para a 29ª colocação em 2024 com R$ 61,3 bilhões, ficando atrás do Master.
Ao longo de 2025, a instituição e o banqueiro foram investigados por esquema que envolvia emissão de CDBs com juros acima do mercado para captação de recursos e criação de carteiras de crédito falsas para simular solidez financeira. O Banco Central determinou a liquidação do Banco Master em novembro de 2025. Daniel Vorcaro foi preso.
Composição do conglomerado e demonstrações financeiras
O conglomerado é formado por oito instituições: Banco Master, Will Financeira, Banco Master de Investimento, Banco Voiter, Banco Letsbank, Banco Master Múltiplo, Master Corretora de Câmbio e Distribuidora Intercap de Títulos e Valores Mobiliários.
A última publicação de demonstrações financeiras ocorreu em 1º de abril de 2025. Nenhuma informação foi divulgada após a liquidação determinada pelo Banco Central.
Os títulos e valores mobiliários (TVM) do conglomerado totalizavam R$ 792 milhões em 2019 e correspondiam a 21,5% do ativo total. Em 2024, o registro alcançou R$ 32,1 bilhões, expansão de 3.950%, com participação de 39% no ativo total. A categoria abrange ações e títulos públicos.
O crescimento posicionou o Master na 16ª colocação entre as instituições brasileiras com maior volume de aplicações em TVMs, superando o Banco Regional de Brasília.
As operações de crédito somavam R$ 768,4 milhões em 2019. Em 2024, o conglomerado registrou R$ 16,8 bilhões nessas operações, crescimento de 2.089%. A categoria engloba concessões de empréstimos, consignado e financiamentos.
O caixa do banco apresentava R$ 78 milhões em 2019 e atingiu R$ 397 milhões em 2024. Os bens permanentes totalizavam R$ 57,6 milhões em 2019 e alcançaram R$ 611,5 milhões em 2024. A categoria inclui imóveis, veículos e móveis.
Passivo e captação de recursos
O passivo do conglomerado financeiro do Banco Master passou de R$ 3,5 bilhões em 2019 para R$ 77,3 bilhões em 2024, expansão de 2.126%. Do total registrado em 2024, aproximadamente R$ 59,9 bilhões, equivalente a 77,5% do passivo, correspondem a depósitos realizados por clientes do banco, pessoas físicas ou jurídicas.
Os recursos entraram nas contas do conglomerado por meio de depósitos ou investimentos, incluindo aplicações em CDBs. Com esse volume, o grupo alcançou a 15ª posição entre as instituições com maior volume de depósitos em 2024. Em 2019, o banco registrava R$ 2,6 bilhões em depósitos.
O Banco Regional de Brasília (BRB) encerrou 2024 com R$ 39,6 bilhões em depósitos de terceiros, representando 68,7% de todo o passivo da instituição.
O conglomerado liderado pelo Banco Itaú registrou o maior volume de depósitos em 2024 com R$ 1,1 trilhão. Cerca de 43% de todo o passivo do Itaú eram provenientes de captação de recursos de terceiros, dependência menor em comparação ao Master.
Outra conta relevante no passivo do conglomerado do Banco Master refere-se a aceites e emissões de títulos, totalizando R$ 2,7 bilhões em 2024.
Resultados financeiros e receitas
No último ano da antiga gestão, em 2018, o então Banco Máxima terminou o ano com prejuízo líquido de R$ 13,2 milhões e ocupava a 1.365ª posição no ranking das instituições.
Após Vorcaro assumir o controle do Master em 2019, o banco saiu de um resultado negativo e passou a registrar R$ 30,4 milhões de lucro líquido, alcançando a 100ª posição.
Em 2024, o conglomerado financeiro atingiu lucro líquido de R$ 567 milhões, o 20º maior do país, variação de 1.763% no comparativo com 2019. O valor foi mais que o dobro do registrado pelo BRB no mesmo ano, R$ 227 milhões.
Em 2019, o conglomerado teve receita com operações de crédito de R$ 210 milhões. O número subiu para R$ 4,6 bilhões em 2024.
Apesar dos ativos com operações de empréstimo e financiamento colocarem o grupo apenas na 29ª posição, as receitas com esse tipo de operação colocaram o Master como a 14ª instituição que mais fez dinheiro com operações de crédito em 2024.
As receitas de TVM saíram de R$ 63 milhões para R$ 1,7 bilhão em 2024, o 21º maior resultado com esses investimentos em todo o país.
Daniel Vorcaro comprou ações do Banco Máxima em 2017. No ano seguinte, sinalizou intenção de comprar toda a instituição. Em outubro de 2019, a venda do Máxima foi aprovada e Vorcaro assumiu o controle.
O ano de 2020 foi o primeiro em que Daniel Vorcaro esteve todo o tempo à frente do Banco Máxima. Em 2021, Vorcaro modificou o nome da instituição para Banco Master. No ano seguinte, criou o Banco Master Investimento.
Em 2023, o Banco Master adquiriu o BANIF, banco português. A expansão continuou em 2024, quando foram adquiridos os bancos Voiter, Letsbank e Will Bank, além da Intercap distribuidora de TVMs.
Em 2025, Vorcaro tentou vender o Banco Master para o BRB. Em agosto, o Banco Regional de Brasília formalizou proposta de compra do banco de Daniel Vorcaro por R$ 2 bilhões.
Em novembro de 2025, foi deflagrada a primeira fase da Compliance Zero. Foram expedidos mandados contra a cúpula do Banco Master, incluindo o presidente Daniel Vorcaro. A Justiça determinou o afastamento do presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, sob suspeita de que o banco público teria injetado bilhões no Master em operações fraudulentas.
Em janeiro de 2026, uma nova fase da operação foi realizada, com foco no rastreamento do dinheiro e na recuperação de ativos. A Justiça autorizou o bloqueio de R$ 5,7 bilhões em bens e valores. Foram realizados 15 mandados de busca e apreensão em endereços ligados a Vorcaro e seus familiares. Entre os itens apreendidos estavam carros de luxo e dinheiro em espécie.
Em março de 2026, na fase mais recente da operação, foi revelada uma estrutura de coerção e infiltração em órgãos reguladores. A Polícia Federal identificou um grupo chamado “A Turma”, que seria uma milícia privada utilizada para monitorar e intimidar adversários e jornalistas que investigavam o banco.
Servidores do Banco Central foram alvos da operação por supostamente atuarem como “consultores privados” de Vorcaro, antecipando informações e facilitando processos regulatórios em troca de propina.
Daniel Vorcaro foi preso novamente. O STF determinou o bloqueio de até R$ 22 bilhões em bens. O banqueiro está preso em Brasília e em processo de negociação de uma delação. O grupo investigado responderá por crimes como gestão temerária, lavagem de dinheiro, corrupção ativa e passiva, além de obstrução de justiça.
Com a liquidação, as operações foram interrompidas e um liquidante foi nomeado. A maioria dos clientes foi ressarcida pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC) até o limite legal, mas o caso expôs os limites do fundo diante do volume elevado de recursos envolvidos.




