O Executivo federal enviou ao Congresso Nacional o projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (PLDO) de 2027 nesta quarta-feira (15/04). O documento prevê salário mínimo de R$ 1.717 a partir de janeiro de 2027, com pagamento em fevereiro. O piso nacional está em R$ 1.621 desde o início deste ano.
A projeção representa aumento de R$ 96 sobre o valor vigente. O reajuste atual foi de 6,79%. A estimativa para 2027 indica correção de 5,92%, caso se confirme.
A metodologia de reajuste soma dois índices. O primeiro componente é a inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) acumulada em 12 meses até novembro, conforme determina a Constituição. O segundo é a variação real do Produto Interno Bruto (PIB) registrada dois anos antes. Para 2027, vale o crescimento de 2,3% do PIB de 2025.
O governo do ex-presidente Jair Bolsonaro corrigia o piso apenas pela inflação do ano anterior, sem ganho real. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva retomou no terceiro mandato o modelo que vigorou na gestão da ex-presidente Dilma Rousseff. A fórmula combina inflação do ano anterior com crescimento econômico de dois anos antes.
O Congresso aprovou em 2024 proposta do governo que limita o aumento real a 2,5% ao ano. O teto equivale ao percentual do arcabouço fiscal aplicado às demais despesas. A restrição permanece até 2030. A medida gerou economia de R$ 110 bilhões em benefícios previdenciários e assistenciais entre 2025 e 2030.
A projeção de R$ 1.717 pode sofrer alterações. O valor final será conhecido em dezembro de 2026, quando o governo divulgar o INPC de novembro. O documento enviado ao Legislativo estabelece metas e prioridades para o ano seguinte. A LDO serve de base para a elaboração da Lei Orçamentária Anual (LOA).
O Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) divulgou em maio que 61,94 milhões de pessoas no Brasil têm rendimentos vinculados ao salário mínimo. O grupo inclui trabalhadores formais, aposentados e beneficiários de programas assistenciais como o Benefício de Prestação Continuada (BPC).
O Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) paga benefícios atrelados ao piso para 29,27 milhões de pessoas. “O peso relativo da massa de benefícios equivalentes a até um salário mínimo é de 46% e corresponde a 70,8% do total de beneficiários, segundo o Boletim Estatístico da Previdência de setembro de 2025”, informou o Dieese em janeiro deste ano.
O Dieese calcula que uma família de quatro pessoas precisaria de R$ 7.425,99 mensais para atender necessidades básicas. O montante equivale a 4,58 vezes o salário mínimo atual de R$ 1.621. A Constituição determina que o piso deve cobrir despesas com alimentação, moradia, saúde, educação, vestuário, higiene, transporte, lazer e previdência do trabalhador e sua família.
O salário mínimo completou 90 anos em janeiro de 2026. A lei 185 instituiu o piso em janeiro de 1936, durante o governo Getúlio Vargas.
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