O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, e o senador Renan Calheiros protagonizaram um bate-boca durante audiência da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado nesta terça-feira (19/05). A discussão girou em torno da atuação do Banco Central no caso envolvendo o Banco Master e a tentativa de venda da instituição ao Banco de Brasília.
Galípolo participava da sessão para prestar contas sobre a atuação do Banco Central quando foi questionado por Renan Calheiros sobre a condução do processo envolvendo o Master. O senador afirmou que o presidente do BC teria defendido anteriormente a operação de venda do banco ao BRB.
Galípolo negou a declaração e rebateu o parlamentar durante a audiência. “O Banco Central jamais diria que a operação é correta, porque o Banco Central não comenta sobre instituição particular”, afirmou o presidente da autoridade monetária.
Renan respondeu dizendo que teria um áudio da suposta declaração e afirmou que enviaria a gravação a Galípolo. O material, porém, não foi apresentado durante a sessão.
O debate ganhou novo tom quando o senador criticou a postura do presidente do Banco Central diante de propostas apresentadas no Congresso que defendiam sua exoneração durante a crise envolvendo o Master. Segundo Renan, uma reação pública de Galípolo seria importante para reforçar a autonomia do Banco Central.
“A reação pública de Vossa Excelência naquele momento era pedagógica para a autonomia do BC”, disse o senador. Galípolo rebateu afirmando que o Banco Central respondeu às pressões com decisões técnicas, e não com manifestações públicas.
“O Banco Central teve a coragem de rejeitar. O Banco Central não tem que pegar a televisão, gravar um Instagram, um TikTok fazendo isso. O Banco Central não é palanque. O Banco Central toma a decisão correta, independentemente de quem está jogando pedra e fazendo barulho”, declarou.
Em seguida, Renan questionou se o Banco Central não deveria reagir às pressões políticas. Galípolo respondeu: “O Banco Central não tem que reagir à pressão.”
Em outro momento, o chefe do BC afirmou que a instituição sofreu pressão política durante a análise da operação envolvendo o Banco Master. “No momento em que estávamos impedindo a aquisição, houve projeto nesta Casa pedindo a minha demissão. O Banco Central resistiu à pressão política”, disse.
Durante a audiência, Galípolo também defendeu a decisão do Banco Central de vetar a venda do Master ao BRB e conduzir a liquidação da instituição financeira. Segundo ele, não havia condições para salvar o banco, o que justificou a intervenção da autoridade monetária.
A troca de acusações provocou reações de outros senadores presentes na sessão, que passaram a intervir no debate. Em meio à confusão, Galípolo reclamou da dificuldade para concluir suas falas. “Eu não consigo falar. Gente, eu queria só um minuto para falar”, afirmou o presidente do Banco Central.
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