Empresas brasileiras e representantes do setor industrial desembarcam em Washington, nos Estados Unidos, no início da próxima semana com o objetivo de impedir que as sobretaxas de 25% sugeridas pelo Escritório do Representante Comercial americano (USTR) entrem em vigor.
A missão é demonstrar às autoridades americanas que essas medidas causariam danos às relações comerciais bilaterais e encareceriam custos tanto para empresas quanto para consumidores nos Estados Unidos.
Levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI) aponta que as novas tarifas incidiriam sobre 35,2% ou mais dos produtos manufaturados que o Brasil exporta.
A entidade sustenta que uma sobretaxa ampla de 25% não se justifica “sob os aspectos jurídico, econômico e estratégico” e que a medida reduziria a competitividade da economia americana e prejudicaria os trabalhadores, sem promover os objetivos da investigação ou corrigir as práticas que ela busca combater.
Comércio bilateral favorável aos EUA
Os dados do setor reforçam o argumento brasileiro. Segundo informações do Globo, as importações americanas de máquinas e equipamentos do Brasil somaram US$ 3,2 bilhões em 2025. No mesmo período, os EUA fecharam com superávit de US$ 1,2 bilhão nesse segmento do comércio bilateral. Mais de 80% das trocas no setor ocorrem entre empresas coligadas, ou seja, companhias do mesmo grupo econômico operando nos dois países.
WEG: segunda maior fabricante de motores nos EUA
A WEG ilustra com clareza essa integração produtiva. Sua subsidiária nos Estados Unidos ocupa o segundo lugar no ranking de fabricantes de motores elétricos do país. O presidente da filial americana, Peter Barry, informou que a empresa emprega 2.300 colaboradores em território americano.
No final do mês passado, a companhia assinou acordo com a Lithium Americas para o fornecimento de aproximadamente 600 motores destinados ao projeto Thacker Pass, localizado em Nevada — empreendimento que recebeu US$ 2,23 bilhões em recursos do Departamento de Energia americano.
Bauducco inaugura fábrica de US$ 200 milhões na Flórida
A Bauducco também apresenta argumentos sólidos nessa disputa. Na semana passada, a empresa abriu uma nova planta industrial na Flórida, com investimento de US$ 200 milhões, conforme informou o CEO Stefano Mozzi. A instalação permitirá que a capacidade produtiva da companhia nos EUA seja duplicada e deve criar 600 empregos quando atingir operação plena.
Mozzi declarou que a Bauducco solicitará a isenção de seus produtos das sobretaxas por um intervalo de três a cinco anos.




