Economista alerta: investir na dívida pública beneficia apenas os mais ricos

Ladislau Dowbor, professor da PUC-SP e ex-consultor, alega que a economia do país sofre quando o dinheiro vai para “especulação financeira”

Por Redação TMC | Atualizado em
(Foto: Reprodução/TMC 360)

O economista, professor da PUC-SP e ex-consultor Ladisau Dowbor falou à TMC, com exclusividade, sobre a questão da taxa de juros no Brasil e quais são os desdobramentos dela na economia brasileira. Para Dowbor, o investimento na dívida pública – e não em setores “produtivos” – é algo que “não faz sentido social, não faz sentido econômico” e apenas “faz sentido do ponto de vista dos grandes grupos financeiros”.

Muita gente que poderia investir pra produzir sapato, bicicleta, abrir uma padaria, o que seja (…) eles simplesmente compram títulos do governo, remunera 15% ao ano – o que é uma coisa completamente absurda – e tá ‘de mão no bolso'”, afirmou o economista.

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Dowbor também ilustrou o motivo pelo qual a taxa Selic é tão atrativa para o seleto grupo de mais ricos do Brasil: “O bilionário que tiver, ali, um bilhão (…) e que aplica isso na taxa Selic recebe ao ano 150 milhões“, exemplificou o professor.

“[A partir do momento em que] aplicar na dívida pública rende muito mais do que fazer investimento produtivo”, alerta Dowbor, “Você drena o dinheiro da párea produtiva para o dinheiro da área – basicamente – de especulação financeira“.

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O professor afirmou que o dinheiro sendo direcionado a esses “detentores da dívida pública” – isto é, aqueles que compram esses títulos – vem dos tributos do contribuinte. “O dinheiro que é pago aos detentores da dívida pública, basicamente os 10% mais ricos da população, ‘Faria Limers’, grandes bancos (…) essencialmente é dos nossos impostos”, explica Dowbor.

Para o economista, quem sai perdendo com essa prática é o país todo: “O que o Brasil menos precisa agora é esfriar o crescimento econômico”.

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