A Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) reagiu ao lançamento do Plano Safra 2026/2027 com críticas à estrutura do programa anunciado pelo governo federal para a agricultura empresarial. Para a bancada do agro no Congresso, apesar da apresentação oficial de um plano recorde, os números indicam redução do crédito efetivamente disponível ao produtor.
Segundo o presidente da FPA, deputado Pedro Lupion (Republicanos), desconsiderando fundos incluídos na composição dos recursos, o volume destinado ao setor representa queda de R$ 29,6 bilhões em relação ao ciclo anterior, o equivalente a 5,73%.
Entre os principais pontos questionados está a redução dos recursos para custeio e comercialização, linha usada para despesas como compra de insumos, condução das lavouras, manutenção da produção e venda da safra. De acordo com a entidade, o montante caiu de R$ 414,7 bilhões para R$ 384,9 bilhões, redução de 7,2%.
A frente também contestou o aumento dos investimentos, que passaram de R$ 101,5 bilhões para R$ 140,2 bilhões. Na avaliação do grupo, parte desse crescimento decorre da inclusão de R$ 38,5 bilhões em fundos que não integram o escopo tradicional do crédito rural.
Outro ponto levantado foi a redução em programas considerados estratégicos. A FPA afirma que o Moderfrota teve corte de 54%, impactando a renovação de máquinas e equipamentos, enquanto o Programa para Construção e Ampliação de Armazéns (PCA) caiu 28%, mesmo diante do déficit de armazenagem no país.
A bancada também apontou queda dos recursos equalizados, que ajudam a reduzir o custo do financiamento, de R$ 113,8 bilhões para R$ 97 bilhões, além de novos cortes no seguro rural.
Confira o vídeo completo do deputado Pedro Lupion (Republicanos) no nosso Instagram.
Apesar de reconhecer o esforço para reduzir juros, a FPA avaliou que a medida é insuficiente diante do endividamento do setor e criticou a ausência do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no lançamento voltado à agricultura empresarial. Segundo a entidade, o gesto reforça uma divisão equivocada entre segmentos do agro.
A TMC Paraná procurou o Governo Federal, mas não obtivemos resposta até o momento.




