Arena do Corinthians: Perícia aponta “cobrança dupla” da Caixa e põe sob suspeita Pix de R$ 41 mi da torcida

Perito judicial Anísio Castelo Branco assina laudo que questiona saldo devedor da Caixa; 6a Promotoria Criminal do MP-SP conduz investigação sobre o caso

Por e , São Paulo | Atualizado em:
(Foto: Breno Avila/TMC)
Resumo
  • Perícia aponta cobrança dupla de juros pela Caixa no financiamento da Neo Química Arena
  • Gaviões da Fiel arrecadaram R$ 41 mi via Pix; torcedores podem ter sido induzidos a erro
  • MP-SP investiga criminalmente o caso; diferença entre saldo cobrado e recalculado chega a R$ 255,7 mi (agosto de 2019)

O laudo pericial (DOC/IPI nº 3559192 / PI-IPI nº 3563346.2026), assinado pelo perito Adm. Anísio Costa Castelo Branco para a 6ª Promotoria de Justiça Criminal do MP-SP, apontou inconsistências graves na cobrança movida pela Caixa contra o Corinthians pelo financiamento da Arena Neo Química.

A apuração conduzida pelo promotor Cássio Conserino aponta risco de cobrança em duplicidade, juros de até 450,73% ao mês e reflexos diretos na campanha do Pix organizada pela torcida.

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Risco de “cobrança dupla” e juros de até 450% ao mês

A perícia identificou um erro de lógica na ação de execução movida pelo banco desde 2019. A Caixa cobrou isoladamente R$ 37.865.968,46 em prestações em atraso, valores que já haviam sido incorporados à atualização do saldo devedor principal. Na prática, o banco teria exigido duas vezes a mesma obrigação do clube.

Além disso, foram mapeados juros sem padrão contratual que atingiram o pico de 450,73% ao mês em agosto de 2019, encargo classificado no relatório como potencialmente abusivo.

Divergência de R$ 402 milhões no saldo devedor

A combinação de encargos sem parâmetro e a inclusão duplicada de parcelas gerou uma divergência milionária no montante cobrado da administração do estádio:

  • Saldo exigido pela Caixa em agosto de 2019: R$ 536.092.853,27

  • Saldo real recalculado pelo IPI na mesma data-base: R$ 280.339.847,34

  • Diferença cobrada a mais em 2019: R$ 255.753.005,93

  • Diferença acumulada e corrigida até agosto de 2026: R$ 402.705.448,77

Um dos desdobramentos: a meta do Pix da torcida sob suspeita

Com a inflação no saldo devedor da Neo Química Arena, a perícia demonstrou preocupação com a arrecadação promovida pelos torcedores corintianos. Entre novembro de 2024 e novembro de 2025, a campanha via Pix da Gaviões da Fiel reuniu R$ 41 milhões em doações voluntárias enviadas à conta da Arena Itaquera S.A. para abater a dívida.

O laudo pontua que a meta de R$ 720 milhões aceita no acordo perante a Justiça Federal (CECON/TRF-3) em novembro de 2024 era meramente “documental” e sem respaldo financeiro real.

Por isso, levanta-se a hipótese de que a torcida organizada e os doadores possam ter sido induzidos a erro ao se mobilizarem para abater um débito baseado em dados divergentes. O IPI recomendou ao promotor Cássio Conserino o exame minucioso da conta bancária da Arena Itaquera S.A. O objetivo é mapear as entradas do Pix, obter comprovantes dos repasses e certificar se os R$ 41 milhões foram efetivamente abatidos do saldo devedor real do Corinthians.

Até o momento da publicação desta matéria, a Gaviões da Fiel e a Caixa Econômica não se pronunciaram sobre os apontamentos.

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