A Bélgica encara a Espanha nesta sexta-feira (10/07), pelas quartas de final da Copa do Mundo de 2026, em um duelo que pode marcar a despedida definitiva da geração que transformou o futebol do país. Liderados por Kevin De Bruyne, Romelu Lukaku e Thibaut Courtois, os Diabos Vermelhos tentam manter vivo o sonho do inédito título mundial naquilo que é tratado como a “última dança” da chamada geração de ouro belga.
O grupo começou a ganhar projeção na Copa de 2014, no Brasil, quando recolocou a Bélgica em um Mundial após 12 anos de ausência. A equipe venceu os três jogos da fase de grupos, eliminou os Estados Unidos nas oitavas de final, mas caiu nas quartas diante da Argentina, derrotada por 1 a 0.
O auge veio quatro anos depois, na Rússia. A Bélgica eliminou o Brasil por 2 a 1 nas quartas de final, em uma das atuações mais marcantes da equipe sob o comando de Roberto Martínez. A campanha terminou na semifinal, com derrota para a futura campeã França, mas a vitória sobre a Inglaterra na disputa do terceiro lugar garantiu o melhor resultado da história do país em Copas do Mundo.
O ciclo, porém, perdeu força no Catar, em 2022. Com um elenco envelhecido e problemas internos, a Bélgica foi eliminada ainda na fase de grupos, atrás de Marrocos e Croácia. A campanha ficou marcada pelas declarações públicas de De Bruyne, que afirmou que o time era “velho demais” para brigar pelo título.
Apesar de ter liderado o ranking da Fifa durante anos e reunido alguns dos principais jogadores da Europa, a geração belga nunca conseguiu conquistar um grande torneio. Nas competições mais importantes, acabou superada por seleções como França e Itália nos momentos decisivos.
Renovação sem abrir mão da experiência
Para a Copa de 2026, o técnico Rudi Garcia promoveu uma ampla renovação no elenco, mas preservou parte da espinha dorsal da equipe. De Bruyne continua sendo o principal articulador do meio-campo, Courtois segue como referência no gol e Lukaku assumiu um novo papel como opção decisiva saindo do banco, marcando seus três primeiros gols nesta Copa como substituto.
Também permanecem no grupo Axel Witsel e Thomas Meunier, enquanto jogadores que surgiram na reta final do antigo ciclo, como Youri Tielemans e Timothy Castagne, passaram a exercer funções de liderança.
Ao redor dos veteranos, uma nova geração ganhou protagonismo. Jérémy Doku tornou-se a principal arma ofensiva com sua velocidade e capacidade de drible, enquanto Amadou Onana e Nicolas Raskin deram mais força física e intensidade ao meio-campo. Na defesa, Zeno Debast, Arthur Theate e Maxim De Cuyper representam a nova base da equipe.
Entre as novidades, a maior expectativa recai sobre Matías Fernández-Pardo, atacante de 21 anos do Lille que optou por defender a Bélgica, apesar de também poder atuar pela Espanha.
Desafio contra uma favorita
O confronto diante da Espanha representa o maior teste da Bélgica nesta Copa. A equipe espanhola chega embalada após eliminar Portugal e é considerada uma das favoritas ao título graças ao controle de posse de bola e à consistência coletiva.
Já os belgas apostam na velocidade dos contra-ataques e na combinação entre juventude e experiência. Depois de virar um jogo dramático contra Senegal nos 16 avos de final e golear os Estados Unidos por 4 a 1 nas oitavas, os Diabos Vermelhos chegam confiantes para tentar prolongar a trajetória no torneio.
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