A entrada em vigor, ainda que provisória, do acordo entre o Mercosul e a União Europeia marca um ponto de inflexão relevante no cenário econômico global e, daqui da Europa, fica evidente que o movimento é tão político quanto comercial.
A medida representa uma vitória clara para a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e para lideranças como António Costa, que apostaram capital político na concretização do acordo.
Ao mesmo tempo, escancara divisões internas no bloco, sobretudo com a resistência da França, pressionada por agricultores que veem riscos diretos à sua competitividade.
Do ponto de vista econômico, o acordo cria uma das maiores zonas de livre comércio do mundo, com cerca de 700 milhões de consumidores, e promete reduzir tarifas em mais de 90% dos produtos europeus exportados ao Mercosul.
Setores como automotivo, farmacêutico e agrícola devem ser diretamente beneficiados, com expectativa de aumento expressivo nas exportações até 2040. Ainda assim, observo que o entusiasmo institucional contrasta com as incertezas jurídicas: o texto ainda precisa passar pelo crivo do Parlamento Europeu e do Tribunal de Justiça da União Europeia, o que pode atrasar sua implementação definitiva.
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Na prática, o que vemos é um acordo que já começa a valer, mas ainda sob tensão um reflexo fiel das disputas econômicas e políticas que moldam a Europa contemporânea e cujos efeitos, inevitavelmente, também chegam ao Brasil.