A Justiça da Argentina determinou a apreensão dos bens da ex-presidente Cristina Kirchner. A decisão foi confirmada nesta sexta-feira (24/04) por um tribunal de recursos do país, segundo informações do jornal La Nación. A medida integra a condenação por corrupção que resultou em pena de seis anos de prisão para a líder peronista. Kirchner e outros condenados no processo devem pagar indenizações que totalizam aproximadamente US$ 500 milhões.
A Corte de apelações rejeitou recurso da defesa e manteve o confisco determinado por instância inferior. A apreensão está vinculada ao esquema de fraude envolvendo o direcionamento de obras rodoviárias públicas na Patagônia a um aliado durante o período presidencial de Kirchner. A condenação à prisão foi proferida em 2022.
Em junho de 2025, a Suprema Corte da Argentina manteve a sentença e proibiu Kirchner de exercer cargos públicos. A ex-presidente cumpre pena em prisão domiciliar em um apartamento em Buenos Aires. Ela continua a liderar o partido peronista Justicialista.
O julgamento iniciado em maio de 2019 investiga direcionamento e superfaturamento na concessão de obras públicas na província de Santa Cruz, berço político dos Kirchner. Os promotores afirmam que Kirchner e outros funcionários de seu governo favoreceram empresas de Lázaro Báez. Muitas das obras não foram concluídas.
Especialistas suspeitam que parte do dinheiro desviado retornou às mãos da família Kirchner. O Ministério Público havia solicitado inicialmente condenação de 12 anos, posteriormente revisada para seis anos.
“Esta é provavelmente a maior manobra de corrupção já conhecida no país”, disse o promotor Diego Luciani ao defender a sentença.
Segundo o La Nación, Kirchner transferiu diversas propriedades para os filhos como adiantamento de herança. As propriedades incluem hotéis e apartamentos no sul da Argentina.
O Código Penal do país estabelece que condenados por esses crimes serão inabilitados para o exercício de cargos públicos.
Em 1º de setembro de 2022, Kirchner foi vítima de tentativa de assassinato no bairro da Recoleta, em Buenos Aires. Ela ocupava a vice-presidência do país e saía de um evento. O militante de extrema direita brasileiro Fernando André Sabag Montiel apontou uma pistola Bersa para seu rosto a poucos centímetros de distância. A arma falhou no momento do disparo.
Montiel foi detido imediatamente. Ele foi condenado a 10 anos de prisão no ano passado.
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