O chanceler do Irã, Abbas Aragchi, apresentou neste sábado (25/04) as condições de Teerã para um acordo de encerramento da guerra no Oriente Médio. A entrega do documento ocorreu em Islamabad, capital do Paquistão, durante negociações indiretas mediadas pelo governo paquistanês.
Segundo fontes do governo do Paquistão ouvidas pela agência Reuters, o material contém as exigências iranianas e objeções às propostas dos Estados Unidos.
Aragchi entregou aos mediadores paquistaneses documentos com as demandas do Irã. O conteúdo não foi divulgado até a publicação desta reportagem, conforme informaram as fontes à Reuters.
A Casa Branca havia informado que os enviados especiais dos EUA, Steve Witkoff e Jared Kushner, teriam conversas diretas com Aragchi em Islamabad. O chanceler iraniano, porém, afirmou que seus planos incluem apenas tratativas com negociadores iranianos.
Retomada após tentativa frustrada
As negociações foram retomadas após uma tentativa frustrada na terça-feira (21/04). O Irã declarou não estar preparado. A delegação americana permaneceu em Washington. No mesmo dia, o presidente Donald Trump prorrogou o cessar-fogo entre os dois países para viabilizar a continuidade das conversas.
Na sexta-feira (24/04), Trump declarou acreditar que a nova proposta do Irã atenderia às exigências dos EUA para o fim da guerra. “Não quero dizer isso, mas estamos lidando com as pessoas que estão no comando agora”, disse ele. A porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, também mencionou “avanços” e “progressos”.
As tratativas indiretas entre representantes dos Estados Unidos e do Irã foram iniciadas neste sábado em Islamabad. A primeira rodada de negociações ocorreu há três semanas. Representantes das duas partes se encontraram presencialmente, incluindo o vice-presidente dos EUA, JD Vance.
Trump anunciou na quinta-feira (23/04) uma prorrogação de três semanas na trégua com o Líbano. O anúncio ocorreu após conversas entre representantes israelenses e libaneses em Washington.
Situação no Estreito de Ormuz
O Estreito de Ormuz permanece com o tráfego marítimo paralisado. A região era responsável pela passagem de cerca de 20% do petróleo e do gás natural liquefeito (GNL) do mundo. A área está sob um duplo bloqueio, de Irã e Estados Unidos.
Um terceiro porta-aviões, o USS George H.W. Bush, opera perto da região. O mercado de petróleo fechou em alta na sexta-feira, com otimismo sobre a retomada das conversas de paz.
As tratativas deste sábado ocorrem em um clima mais hostil que a primeira rodada de negociações, há três semanas. Trump afirmou que tem “todo o tempo do mundo” para negociar a paz com o Irã, enquanto mantém a pressão militar.
O presidente do Conselho Europeu, António Costa, disse na sexta-feira que a reabertura de Ormuz é “vital para o mundo”.
O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, declarou nesta sexta-feira: “Iniciamos um processo para alcançar uma paz histórica entre Israel e Líbano, e parece evidente que o Hezbollah tenta sabotá-lo”.
O Hezbollah, apoiado pelo Irã, afirmou que a prorrogação não faz “sentido”, diante dos “atos de hostilidade” de Israel. O grupo extremista também pediu que o governo libanês se retire das negociações diretas com Israel.
Com informações da Reuters.




