O senador Jaques Wagner (PT-BA) disse ter levado pessoalmente ao presidente Lula sua insatisfação com a forma como a Polícia Federal conduziu a operação que resultou em buscas em seu apartamento em Brasília. A entrevista foi concedida à Folha na quinta-feira (25/6), em seu escritório político na Bahia, um dia após o encontro com o presidente.
Segundo Wagner, a PF divulgou uma foto com cédulas de moeda estrangeira apreendidas no apartamento. Ele questionou a necessidade da imagem. “Para que aquela patacoada de dinheiro em cima da cama com o escudo da PF? Esse processo era comum na Lava Jato. Se a Polícia Federal vai continuar nesse tipo de espetacularização, acho que o chefe da Polícia Federal tem que tomar conta”, disse o senador, referindo-se ao diretor-geral Andrei Rodrigues.
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Wagner também afirmou que a ordem do ministro do STF André Mendonça determinava que a busca e apreensão ocorresse de forma discreta, em razão do caráter sigiloso da investigação. Ao relatar o que disse a Lula, o senador afirmou: “Estão tentando fazer uma narrativa para botar no meu colo algo que não existe”.
Valores e vínculos com o Banco Master
De acordo com informações do jornal Folha de São Paulo havia divulgado que o Banco Master pagou R$ 3,5 milhões à empresa da nora de Wagner. O senador confirmou o vínculo, mas disse que o montante real é superior ao valor publicado. Ele não especificou o valor exato.
Wagner afirmou ter conhecido o empresário Augusto Lima em 2018, durante o processo de privatização da Cesta do Povo. Segundo o senador, o Banco Master teria se tornado sócio de Lima em 2019, ressalvando, porém, que não tinha certeza absoluta da data. Sobre Daniel Vorcaro, sócio do Master, Wagner disse tê-lo encontrado apenas duas vezes. Segundo o senador, Lima lhe perguntou: “A gente precisa melhorar o padrão do banco. Você tem alguma sugestão para a área jurídica?” Wagner disse ter respondido: “O ministro Lewandowski tem pouco tempo que se aposentou, não vejo outro nome melhor. Não sei se ele quer.”
O senador negou ter qualquer consultoria com Lima ou com o banco. “Está se tentando criar uma retórica hipócrita. Tenho relação com uma porção de gente. Aí o cara diz para mim: ‘terça-feira eu estou indo para Brasília, quer ir de carona?’ Eu vou, qual o problema?”, afirmou. Ele admitiu pegar carona com empresários, mas rejeitou a ideia de que isso configure irregularidade. “O que a Polícia Federal tem que comprovar, e não vai, é a relação de troca”, acrescentou.
Show, apartamento e comparação com Flávio Bolsonaro
Wagner também respondeu sobre dois convites que recebeu para um show de um empresário. “Estão achando que ele me comprou porque arrumou dois ingressos. Eu poderia pedir coisa mais importante, né?”, disse.
Sobre um apartamento em prédio ainda em construção, o senador afirmou que pretende dar o imóvel de presente à filha. Segundo Wagner, ele disse ao empresário: “não tenho condições de comprar, ela vai ter que vender o apartamento dela para eu ajudar no resto e financiar uma parte. Eu só quero que garanta aquilo lá.” Ao ser questionado sobre a opacidade de algumas relações, Wagner reconheceu a percepção, mas negou irregularidade. “Eu sei que é nebuloso, que todo mundo vai… Mas objetivamente, está no meu nome? Foi doada para mim alguma coisa? Nada. O caminho dos corruptos não é esse de fazer um sexo explícito”, declarou. Lewandowski, por sua vez, teria respondido que aceitaria o convite: “Só quero se eu for tipo chefe da consultoria jurídica.”
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Ao comparar sua situação à do senador Flávio Bolsonaro (PL), Wagner disse que o rival pediu R$ 140 milhões, ao passo que ele não pediu uma banda de conto, acrescentando: “O cara [Flávio] pediu R$ 140 milhões [R$ 134 milhões para o filme ‘Dark Horse’]. Eu não pedi uma banda de conto.”
Wagner havia deixado o cargo de líder do governo no Senado um dia antes de conceder a entrevista.




