O evento do Esfera Brasil, realizado em São Paulo nesta segunda-feira (27/04), reuniu lideranças políticas para discutir o fim da escala 6×1, uma das pautas mais sensíveis do momento no Congresso Nacional. Entre os participantes, estiveram o senador e presidente do PP, Ciro Nogueira, a presidente do PSOL, Paula Coradi, e a deputada federal e presidente do Podemos, Renata Abreu, que apresentaram visões distintas sobre o tema.
O debate evidenciou o desafio de equilibrar a busca por melhores condições de trabalho com os impactos econômicos da medida, reunindo argumentos que vão desde a defesa da competitividade até a urgência de mudanças nas relações trabalhistas.
“Sem jogar isso no custo do país”
O presidente do PP, Ciro Nogueira, alertou para os riscos econômicos da proposta e destacou a necessidade de equilíbrio na implementação.
“A discussão é de como implementar. Lógico que todos vamos lutar para que as pessoas trabalhem menos e ganhem mais. Mas isso afeta a competitividade da nossa economia, do nosso mercado e do próprio país”, afirmou.
O senador defendeu que a solução não recaia exclusivamente sobre o setor produtivo. “Temos que buscar uma fórmula para viabilizar isso, mas não jogando isso única e exclusivamente na mão do empregador. Isso fatalmente vai ser repassado para o próprio consumidor. É um ciclo vicioso que temos que encontrar uma fórmula que possamos aprovar, mas sem jogar isso no custo do nosso país”, completou.
“Uma escala escravocrata e exploratória”
Já a presidente do PSOL, Paula Coradi, defendeu a proposta como urgente e com amplo apoio social. “O fim da escala 6×1 é uma pauta ampla. Devemos dialogar com todos os setores envolvidos. Como é uma agenda prioritária, estamos dispostos a dialogar com todo mundo que queira debater essa pauta”, disse.
Ela classificou o modelo atual como prejudicial aos trabalhadores. “Terminar com uma escala que, na nossa opinião, é uma escala escravocrata e exploratória”, afirmou.
Coradi também destacou a disputa política em torno do tema. “Acredito que tem diversos interesses econômicos. Existe uma disputa de narrativa em torno dessa agenda. Para nós, como é uma agenda de 70% da sociedade, ela deve ser considerada, debatida e espero que aprovada nas próximas semanas no Congresso”, completou.
“Debate exige equilíbrio”
A deputada federal e presidente do Podemos, Renata Abreu, adotou um tom mais conciliador e defendeu cautela na condução da pauta.
“O tema está sendo debatido no Congresso. Naturalmente é importante que se debata com diálogo, com respeito, porque a gente sabe que lutar por mais qualidade de vida é um anseio”, afirmou.
Ela ressaltou a importância de considerar os impactos econômicos. “Estamos vivendo um momento em que a sociedade precisa de saúde mental, mas ao mesmo tempo é preciso ouvir o mercado e os impactos econômicos”, disse.
A parlamentar também fez um alerta sobre possíveis efeitos negativos. “Não adianta ter mais qualidade de vida e amanhã não ter emprego para dar sustento para as famílias brasileiras”, declarou.
Por fim, defendeu a construção de consenso. “Uma comissão exclusiva para discutir o assunto, ouvindo todos os lados e criando um consenso de como podemos unir qualidade de vida com política econômica equilibrada”, concluiu.
Leia mais: Tarcísio chama Flávio Bolsonaro de “próximo presidente” em feira do agro em SP




