O presidente Luiz Inácio Lula da Silva embarca nesta quarta-feira (06/05) para Washington. Donald Trump receberá o chefe de Estado brasileiro na quinta-feira (07/05). A Casa Branca confirmou o encontro. A chegada de Lula à capital norte-americana está prevista para as 20h10 no horário local, correspondente às 21h em Brasília.
De acordo com informação da Globo, o encontro terá formato de “visita de trabalho”. Essa modalidade possui menor grau de formalidade do que uma reunião bilateral tradicional. Uma autoridade da Casa Branca informou que os dois presidentes devem discutir questões econômicas e de segurança de interesse mútuo.
A diplomacia brasileira considera a reunião uma etapa relevante para normalizar as relações comerciais entre os dois países. O período recente foi marcado por incertezas e pela imposição de tarifas de importação que afetaram produtos brasileiros.
A agenda vai além das questões econômicas. As discussões devem incluir a situação na Venezuela e possíveis parcerias envolvendo minerais críticos e terras raras. Auxiliares de Lula revelaram que o presidente brasileiro pretende afastar a possibilidade de equiparar facções criminosas a organizações terroristas. Essa hipótese já foi levantada pela administração americana. O governo brasileiro trabalha para evitar que organizações como CV e PCC sejam incluídas na lista de grupos terroristas internacionais dos Estados Unidos.
A inclusão dessas facções na lista norte-americana poderia gerar complicações diplomáticas e operacionais para as autoridades brasileiras. Há interesse dos dois países em ampliar a cooperação no combate ao crime organizado e à lavagem de dinheiro. Brasil e Estados Unidos podem desenvolver ações conjuntas nessas áreas de segurança pública.
O governo brasileiro tenta reverter tarifas impostas pelos Estados Unidos a produtos nacionais. Esse tema deve estar na pauta das conversas entre os dois presidentes. As divergências comerciais representaram um desafio nas tratativas para viabilizar a reunião entre Lula e Trump.
O vice-presidente Geraldo Alckmin avaliou o encontro como uma oportunidade para esclarecer o funcionamento do PIX e buscar um “bom entendimento” entre os dois países. A declaração foi feita nesta terça-feira (05/05) durante entrevista à GloboNews. Ao comentar a relação comercial bilateral, Alckmin afirmou: “O Brasil não é problema para os Estados Unidos. O que nós temos que fazer é um ganha-ganha, é fortalecer ainda mais a complementariedade econômica”.
A agenda do presidente brasileiro inclui também um jantar com jornalistas em Washington. O encontro marca um momento de reaproximação entre os dois governos após um período de tensões diplomáticas e comerciais. A viagem resulta de um processo de aproximação que ganhou impulso em 26 de janeiro de 2026.
Lula e Trump conversaram por telefone durante aproximadamente 50 minutos em 26 de janeiro de 2026. Naquela ocasião, os dois presidentes manifestaram o desejo de realizar um encontro presencial para resolver divergências diretamente. O presidente brasileiro classificou essa perspectiva como uma conversa “olho no olho”.
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Lula demonstrou interesse em estabelecer um canal direto de comunicação com o governo norte-americano. O objetivo é tratar de questões bilaterais pendentes entre os dois países. As negociações para viabilizar o encontro enfrentaram alguns obstáculos que adiaram a data inicialmente prevista para a reunião.
O encontro estava inicialmente programado para março. A guerra no Oriente Médio provocou atrasos na definição da agenda. O agravamento das tensões no Oriente Médio redirecionou prioridades da Casa Branca.
Desde então, Lula fez críticas a Donald Trump em razão dos ataques dos Estados Unidos ao Irã. Mais recentemente, porém, Lula manifestou solidariedade a Trump após o atentado ocorrido na semana passada.




