PF identifica mensagens de Vorcaro celebrando emenda de Ciro Nogueira favorável ao Master

“Jabuti” do senador consistia em elevar o limite de cobertura do FGC, atualmente de R$ 250 mil por CPF, para R$ 1 milhão

Por Redação TMC | Atualizado em
Senador Ciro Nogueira fala ao microfone durante sessão no Senado
(Foto: Carlos Moura/Agência Senado)

    Mensagens interceptadas pela Polícia Federal e analisadas no âmbito da CPMI do INSS revelam que o empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, celebrou a apresentação de uma emenda parlamentar pelo senador Ciro Nogueira (PP-PI) que beneficiaria diretamente as atividades da instituição financeira.

    A proposta, que chegou a ser apelidada nos bastidores de “emenda Master”, acabou não avançando no Congresso Nacional.

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    Os diálogos, obtidos a partir da perícia nos aparelhos celulares de Vorcaro, mostram o entusiasmo do banqueiro com a articulação política. Segundo os investigadores, o conteúdo reforça os indícios de uma “engrenagem de corrupção institucional” que buscava moldar a legislação e influenciar órgãos reguladores para favorecer os negócios do grupo.

    Em um diálogo entre Vorcaro e sua namorada, o banqueiro afirmou: “Ciro soltou um projeto de lei agora que é uma bomba atômica no mercado financeiro! Ajuda os bancos médios e diminui poder dos grandes! Está todo mundo louco.”

    Em outros trechos, o banqueiro cita Nogueira mais de uma vez como “muito amigo meu”.

    A emenda em questão tratava de normas relativas ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC). Em depoimentos anteriores, Vorcaro afirmou que o plano de negócios do Banco Master era “100% baseado no FGC”, alegando que não havia ilegalidade na estratégia.

    No entanto, o Ministério Fazenda, sob a gestão de Fernando Haddad, chegou a manifestar “estranheza” com o teor das modificações propostas na época. Isso porque o acréscimo de Nogueira ao texto original era um “jabuti”, um assunto diferente do tema central da proposta.

    O “jabuti” consistia em elevar o limite de cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC), que atualmente é de R$ 250 mil por CPF, para R$ 1 milhão. Na prática, a proposta favoreceria Vorcaro e sua estratégia de expansão do banco, que vendia CDBs a valores acima do mercado, contando com a “garantia” do FGC.

    Leia mais: Caso Master: PF diz que ‘Sicário’ cometeu suicídio na prisão, mas Secretaria não confirma

    Em nota, a defesa de Daniel Vorcaro negou qualquer prática criminosa e afirmou que as relações do empresário com parlamentares e autoridades faziam parte da atividade institucional de um grande grupo econômico.

    O senador Ciro Nogueira, em declarações recentes, admitiu conhecer o banqueiro, assim como conhece outros grandes empresários, mas negou ter oferecido qualquer tipo de favorecimento indevido em sua atuação legislativa.

    Vorcaro e seu cunhado, Fabiano Zettel, seguem presos e foram transferidos para o Centro de Detenção Provisória de Guarulhos, em São Paulo.

    Senador nega conduta inadequada

    Em nota, a defesa de Ciro Nogueira afirmou que o senador “mantém diálogos por mensagens com centenas de pessoas, o que não o torna próximo apenas por, eventualmente, interagir com elas”.

    Os advogados também alegaram que o parlamentar “está tranquilo quanto às investigações da Polícia Federal nas denúncias que envolvem o empresário, uma vez que não mantém nem nunca manteve qualquer conduta inadequada relacionada ao caso em apuração.”

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