Uma pesquisa do instituto Meio/Ideia mostra que os brasileiros interpretam de duas formas principais a rejeição de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal. O levantamento foi divulgado nesta quarta-feira (06/05). O Senado Federal votou contra a indicação do advogado-geral da União para integrar a Corte.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva havia indicado Messias para a vaga no STF. A votação no Senado barrou o nome proposto pelo Planalto.
Visões distintas sobre a rejeição
Os entrevistados apresentaram interpretações diferentes sobre o significado da votação. Para 36% dos brasileiros, a rejeição resultou de uma articulação política da oposição.
Outros 35% interpretam a votação como uma derrota do presidente Lula. Esse grupo identifica fragilidades na articulação política do Planalto.
Uma parcela de 12% afirmou que o Senado cumpriu seu papel ao barrar uma indicação política. Outros 8% consideram que o processo de ingresso no STF não deveria passar pelo Senado. Os entrevistados que não souberam responder somaram 9%.
O episódio alcançou ampla repercussão entre os brasileiros. Mais da metade dos entrevistados, totalizando 58,6%, afirmaram ter tomado conhecimento da rejeição de Messias pelo Senado. O instituto Meio/Ideia classifica o episódio como um dos mais acompanhados da política no período.
O instituto ouviu 1.500 pessoas para realizar o levantamento. A coleta de dados ocorreu entre os dias 1 e 5 de maio. A pesquisa apresenta margem de erro de 2,5 pontos percentuais, para mais ou para menos. O nível de confiança estabelecido é de 95%.
O instituto realizou a pesquisa com recursos próprios. O levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o protocolo BR-053562026.
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Zema x STF
O ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo) tem o apoio de metade dos brasileiros no embate com o STF, segundo o mesmo levantamento Meio/Ideia. No total, 50,3% dos entrevistados se posicionam ao lado do pré-candidato à Presidência. A Corte é defendida por 21,7% dos ouvidos.
A pesquisa revela que 10,3% avaliam que ambos os lados exageram, mas consideram Zema o principal problema. Outros 7% também veem exagero dos dois lados, porém atribuem maior responsabilidade ao Supremo. Há ainda 8,5% que interpretam o episódio como disputa puramente eleitoral.
O levantamento identificou que a percepção de exagero do STF tem mais força entre eleitores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), com 63,5%. Entre aqueles que aprovam o governo, o percentual é de 60,8%. Já entre eleitores do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), o índice é de 38,5%. Os dados indicam que a insatisfação com a Corte ultrapassa campos políticos.
A maior parte dos entrevistados afirmou desconhecer o conflito. O percentual de desconhecimento chega a 76,4% no total nacional. Nas regiões Norte e Centro-Oeste, os índices são ainda maiores: 92,2% e 90%, respectivamente.
Entre eleitores de Ronaldo Caiado (PSD), 91,7% disseram não conhecer o caso. O desconhecimento também é alto entre eleitores da direita não bolsonarista, com 90,6%.




