Bruno Rizzi
Bruno Rizzi Mais sobre o autor

Bruno Rizzi é sócio da consultoria Fatto Inteligência Política e analista político com mais de 10 anos de experiência. Com passagens pela gestão pública e pelo mercado financeiro, é especialista em conectar o setor privado às dinâmicas da política. Possui MBA pela FGV e é pós-graduando em História, Política e Sociedade pela Escola de Politica e Sociologia de São Paulo.

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“Se não ajuda, não estorva”: o conselho da minha avó que Eduardo Bolsonaro nunca escutou…

Em meio a brigas públicas com aliados da própria direita, Eduardo Bolsonaro acumula desgaste político e vira um estorvo na estratégia eleitoral de seu próprio clã em 2026

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Eduardo Bolsonaro em entrevista à TMC
(Foto: TMC)

Eduardo Bolsonaro é um fenômeno eleitoral, inegavelmente. O 03 de Jair detém o recorde de deputado federal mais votado da história do Brasil em números absolutos — marca histórica atingida nas eleições de 2018, quando recebeu mais de 1,8 milhão de votos pelo estado de São Paulo.

Mas isso não significa que seja um gênio da articulação política — aliás, muito pelo contrário.

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Em seu “autoexílio” nos Estados Unidos, já protagonizou episódios que trouxeram alguma alegria até para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que passou a chamá-lo de “meu camisa 10”, comparando-o ao craque do time que cruza a bola na medida certa para o atacante (o governo) marcar o gol. A ironia se deve ao fato de que as ações de Eduardo nos Estados Unidos relacionadas ao tarifaço contra o Brasil acabaram gerando um “efeito bumerangue” para o próprio clã e beneficiaram Lula, que cresceu nas pesquisas ao capitalizar o episódio com um discurso de defesa da soberania nacional.

O “camisa 10” seguiu em campo, protagonizando uma série de embates públicos com figuras centrais da própria direita. Recentemente, acusou Nikolas Ferreira — expoente do bolsonarismo e importante cabo eleitoral em Minas Gerais para seu irmão, Flávio Bolsonaro — de desrespeito e oportunismo. Ainda no ano passado, o próprio presidente de seu partido, Valdemar Costa Neto, chegou a declarar que determinadas ações de Eduardo poderiam “ajudar a matar politicamente o pai”.

Agora, o episódio mais recente envolve o ex-ministro do governo Jair Bolsonaro e atual deputado Ricardo Salles. A briga estourou após o partido do clã, o Partido Liberal, apoiar o deputado André do Prado — com Eduardo na suplência — para o Senado em São Paulo, em vez de Salles, que chamou o filho de Jair de “burro” e afirmou que ele teria “vendido” o apoio à chapa.

Eduardo respondeu dizendo que Salles virou uma “biruta de vento político” e que “está virando meme”. De quebra, ainda atacou o vereador Pablo Almeida, aliado de Nikolas Ferreira, afirmando que ele havia tirado de contexto falas recentes sobre o patriarca do clã.

Engana-se quem pensa que essas disputas e conflitos não são naturais. Sempre aconteceram — e continuarão acontecendo —, mas tradicionalmente de forma reservada: nos corredores de Brasília, nos bastidores dos palanques, longe dos holofotes.

Essa exposição pública é o elemento “inovador” da história — e, evidentemente, em nada ajuda a campanha de Flávio.

Vivendo fora do Brasil e distante do dia a dia da pré-campanha do irmão, Eduardo Bolsonaro parece tentar retomar seu espaço dentro do clã. Afinal, é o único “órfão” das grandes disputas eleitorais: sua madrasta, Michelle Bolsonaro, deve disputar o Senado pelo DF; Flávio é pré-candidato à Presidência; seu irmão Carlos, o 02, disputará o Senado por Santa Catarina; e o meio-irmão Jair Renan Bolsonaro tentará uma vaga na Câmara pelo mesmo estado.

A Eduardo restou a suplência na chapa ao Senado em São Paulo.

Dias difíceis para Dudu…

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