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Âncora de destaque no jornalismo nacional, Joana Treptow, com seu estilo espontâneo, traz uma visão humana e técnica sobre os fatos que moldam o cotidiano. Versátil e dinâmica, sua cobertura abrange desde grandes crises até tendências sociais e culturais.

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Vale tudo em ano eleitoral? No Brasil, sempre

Com a eleição se aproximando, aumentam os gastos, os benefícios e as promessas

Por Joana Treptow | Atualizado em
(Crédito: Agência Brasil)

Essa é a primeira vez que acompanho, de perto, como se torna um ano eleitoral. Não existe uma virada de chave. A política já vive em modo campanha, mas chega um momento em que a eleição ganha corpo – com nomes, bandeiras e anúncios de medidas. Esse último privilégio, claro, é de quem está no poder.

No Brasil, desde que a democracia é democracia, mandatários e suas equipes aceleram os pacotes de bondades na medida em que a eleição se aproxima. Não importa o retrato fiscal. Se o país comporta ou não aquele gasto. Não interessa como está o caixa. Conceitos como responsabilidade fiscal, equilíbrio orçamentário e sustentabilidade das contas públicas se evaporam.

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Hoje, o Brasil já dá sinais claros desse movimento. Do lado do governo, um parágrafo é insuficiente para abrigar tantas medidas. Avança o Desenrola 2.0, cresce a pressão pelo fim da escala 6×1, discute-se ampliar crédito, limitar juros e segurar custos básicos. Na energia e nos combustíveis, entram na mesa contenção de tarifas e até subsídio ao diesel. Tudo pensado para chegar rápido ao eleitor.

No Congresso, pautas que ampliam gastos também avançam com mais facilidade. É o caso da PEC que fixa um valor mínimo da receita da União para financiar a assistência social — o que antes dependia da disponibilidade de caixa passa a ser obrigatório. Nos últimos meses, partidos de diferentes espectros se mobilizaram para tirar o texto da gaveta e levá-lo à votação.

Apadrinhar é o verbo do momento. Mas isso não começou agora. Em 2022, sob o governo Jair Bolsonaro, o roteiro foi parecido. Entre cortes de impostos e a criação de novos benefícios, houve de tudo: aumento do Auxílio Brasil, subsídios, e até um auxílio específico para taxistas. Na época a justificativa era social.

Quem está no poder sempre pode agir mais e, portanto, levar mais crédito. Mas o problema é o que vem depois. Se “quem pariu Mateus que o balance”, alguém vai ter que lidar com o filho, ou a conta – e ela não some. Ela só muda de lugar.

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