Bruno Rizzi
Bruno Rizzi Mais sobre o autor

Bruno Rizzi é sócio da consultoria Fatto Inteligência Política e analista político com mais de 10 anos de experiência. Com passagens pela gestão pública e pelo mercado financeiro, é especialista em conectar o setor privado às dinâmicas da política. Possui MBA pela FGV e é pós-graduando em História, Política e Sociedade pela Escola de Politica e Sociologia de São Paulo.

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Vice-presidente para a atual vice-liderança

Vice-presidentes – ou candidatos a vice – importam? A resposta é: depende da escolha

Por Bruno Rizzi | Atualizado em
Flávio Bolsonaro no plenário do Senado
(Foto: Carlos Moura/Agência Senado)

Desde a consolidação da pré-candidatura de Flávio Bolsonaro no campo oposicionista, há muita especulação sobre quem poderia assumir a posição de candidato a vice-presidente na chapa de Flávio.
Há certa expectativa de que essa escolha possa representar um verdadeiro trunfo oposicionista.

O tema voltou a ganhar atenção especial nas ultimas horas a partir de um endosso de Eduardo Bolsonaro pelo nome da deputada federal Julia Zanatta (PL).

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O que a Ciência Política nos mostra é que candidatos a vice são escolhidos com dois objetivos principais: 1) ajudar eleitoralmente o cabeça de chapa e 2) ajudar governativamente o futuro presidente.

São comuns os acordos partidários envolvendo a posição de vice, que geralmente são políticos com nomes fortes e conhecidos, com extensa carreira política, vindos de estados populosos e que, com
sua presença, se busca o equilíbrio regional da chapa, como explica a cientista política Amanda Vitoria Lopes em “Escolhendo um companheiro de chapa: seleção de candidatos à vice-presidência”.

Na realidade, sobre a perspectiva eleitoral, as evidências mostram que o vice traz pouco voto ao cabeça de chapa. Até mesmo a hipótese da importância da diversificação da chapa, regionalmente ou de gênero, por exemplo, não foram comprovadas pela Ciência Política.

A campanha de Flávio Bolsonaro e seus aliados aproveitarão o período da Copa do Mundo para jogar parado em relação ao vice e a construção das alianças.

As próximas duas semanas devem ser de conversas internas e com aliados, especialmente com a federação União Progressista, mas neste momento não há estímulo para fechar e anunciar uma decisão.

Há um clima de cautela de ambos os lados. Aliados temem que o desgaste de Flávio com o caso Master/Vorcaro e medidas dos EUA se estendam, impedindo um crescimento da candidatura agora. Alguns também temem maior envolvimento dos próprios nomes com o Master, e preferem não se movimentar agora para não se tornar alvo de operações.

Do lado da campanha de Flávio, a avaliação também é de aguardar desdobramentos e aproveitar esse momento para sinalizar a grupos para vencer a rejeição (o exemplo mais recente foi de Flávio sinalizando que sua vice pode ser mulher em um almoço com empresárias em SP).

Nesse cenário, o PL segue conversando com os aliados sem expectativa de fechar alianças no curto prazo. A escolha do vice é essencial para o fechamento dos acordos.

A campanha de Flávio tem em mãos o resultado das pesquisas qualitativas que foram contratadas para descobrir o perfil ideal desse (ou dessa) vice. Uma das características detectadas nas pesquisa é de perfil mais político e com experiência. Internamente o nome da senadora Tereza Cristina se fortaleceu após as pesquisas.

A tendência é que o partido e os aliados usem praticamente todo o tempo possível para tomar essa decisão. As chapas precisam ser registradas até o dia 15 de agosto, mas antes disso elas precisam ser aprovadas em convenção partidária. As convenções acontecem entre 20 de julho a 5 de agosto, ou seja, até o início de agosto os vices estarão definidos.

Fato é que Zanatta ainda nem entrou em uma provável lista de possibilidades porque está longe da cúpula do PL, que é quem decide e tem outras questões para endereçar: acordos partidários. Ela também não entra no perfil detectado pelas qualitativas.

Mais do que isso, tirando o fato da força e relevância de presença feminina na chapa, a questão ideológica da atual deputada sequer acrescenta novos elementos e também “não fura a bolha”, algo necessário em uma disputa tão acirrada e polarizada.

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