PM acusado de matar ex-esposa é aposentado e pode perder R$ 22 mil

Geraldo Leite Rosa Neto, réu por matar a PM Gisele Santana, passa à reserva; condenação pela Justiça Militar pode reduzir renda de R$ 22 mil para R$ 8.475,55

Por Redação TMC | Atualizado em
O tenente Geraldo Leite Rosa Neto e sua esposa, a soldado Gisele Alves Santana, ambos fardados
(Foto: Gisele Alves Santana via Instagram)

O tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, réu por feminicídio e fraude processual, foi oficialmente transferido para a reserva da Polícia Militar de São Paulo (PM-SP). O decreto foi publicado nesta quarta-feira (10/06), e assinado pelo coronel Antonio Thomazelli Júnior, diretor de Inatividade e Pensão Militar.

Com a aposentadoria, o vínculo financeiro de Geraldo Neto deixa de ser com a corporação. “A Polícia Militar informa que o vínculo financeiro do tenente-coronel da reserva é atualmente com a São Paulo Previdência (SPPrev) e que as informações relacionadas à pensão devem ser prestadas por aquela autarquia, sendo que eventuais cortes ou suspensões de pagamento dependem de decisão judicial”, disse a PM.

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A partir de junho de 2026, os proventos passam a ser pagos pela São Paulo Previdência (SPPrev), autarquia do governo estadual. Segundo a SPPrev, “Todos os militares que vão para a inatividade remunerada passam a integrar o Sistema de Proteção Social dos Militares, conforme previsto na Constituição Federal. Nessa condição, encontra-se também o Tenente-Coronel PM Geraldo Leite Rosa Neto, que passou a perceber seus proventos de inatividade a partir do mês de junho de 2026, sob gestão da São Paulo Previdência (SPPrev)”.

A autarquia também confirmou que “Os proventos de inatividade dos militares são creditados no quinto dia útil de cada mês, de acordo com o calendário regular de pagamentos” e que o pagamento suplementar de junho será creditado até o dia 18.

Salário em risco após julgamento

De acordo com a PM, a remuneração de cerca de R$ 22 mil poderá ser cortada pela SPPrev, caso o tenente-coronel seja condenado pela Justiça Militar à perda de patente pela morte da esposa. Nesse cenário, os proventos cairiam para o teto previdenciário de R$ 8.475,55.

A corporação deixou claro, porém, que “a eventual perda do posto e da patente, bem como impactos sobre remuneração, somente podem ocorrer após decisão definitiva do Tribunal de Justiça Militar do Estado de São Paulo”. Enquanto o processo tramita, ele segue recebendo a remuneração integral.

A SPPrev, por sua vez, esclareceu que o “pagamento de qualquer benefício de inatividade decorre de ato administrativo válido de passagem à inatividade, praticado pelo órgão competente, tratando-se de ato legal, impessoal e vinculado à legislação que rege a matéria”.

A autarquia acrescentou ainda que “a SPPREV atua exclusivamente como gestora da folha de pagamento dos inativos e pensionistas do Estado e efetuará os pagamentos enquanto o respectivo ato administrativo permanecer válido. Eventuais alterações na situação funcional do militar, inclusive aquelas decorrentes de decisões administrativas ou judiciais, deverão ser formalmente comunicadas à Autarquia para adoção das providências cabíveis no âmbito previdenciário”.

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O crime e as investigações

Geraldo Neto é acusado de matar a PM Gisele Alves Santana, de 32 anos, sua esposa. O corpo dela foi encontrado em um apartamento no Centro de São Paulo. As investigações concluíram que ele teria forjado um suicídio para encobrir o crime.

Tanto a Polícia Civil quanto a Corregedoria da PM concluíram seus inquéritos e encaminharam os resultados ao Poder Judiciário. O tenente-coronel responde na Justiça comum por feminicídio e fraude processual.

A filha do casal, de 7 anos, recebe pensão da SPPrev e continuará a recebê-la até a maioridade, conforme informou a autarquia. Em abril, Geraldo Neto havia pedido para passar oficialmente à reserva. Até maio, os proventos ainda eram pagos diretamente pela PM. A transferência para a SPPrev se efetiva agora, em junho.

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