Na coluna de hoje, quero chamar atenção para mais um aspecto que mostra que, aparentemente, mais do que nunca, os jovens estão querendo se reconectar com o passado.
Só no último ano, de 2025 para cá, a busca pelos iPods, sim, o famoso tocador de música da Apple, registrou aumento de até 45% em algumas plataformas de e-commerce e marketplaces. O iPod, aquele símbolo de inovação na virada do milênio e da digitalização de uma nova forma de consumir conteúdo, agora começa a ser resgatado pelos jovens.
A justificativa deles é curiosa e bastante reveladora: ele só servia para ouvir música. Muitos afirmam estar cansados das notificações, das redes sociais e da lógica de telas infinitas que se renovam o tempo todo.
E vale destacar: isso está longe de ser um fenômeno isolado.
Estamos vendo também, em 2026, a volta dos fones com fio. Estudos mostram ainda que a geração Z é a mais refratária à inteligência artificial ou, ao menos, a que demonstra menos entusiasmo com ela, quase como um sentimento de “logo na minha vez tudo isso aconteceu”.
Tudo isso surge em um contexto de pressão por capacitação constante, transformações aceleradas no mercado de trabalho e uma crescente incerteza sobre o que será realmente valioso no futuro.
Nesse cenário, começa a emergir uma certa nostalgia tecnológica e ela agora se materializa também no retorno dos iPods.
O que eu consigo extrair disso tudo é algo muito peculiar: aparentemente, essa ressaca tecnológica começa a aparecer justamente onde menos se esperava, entre os jovens.
Se falássemos, até pouco tempo atrás, sobre vício em tecnologia ou excesso de uso de telas, rapidamente concluiríamos que o problema estava concentrado justamente nas novas gerações. Mas agora começamos a ver talvez o início de uma reflexão. E até arrisco dizer: o começo de uma busca por mais sabedoria digital.
Uma tentativa de usar a tecnologia de forma mais equilibrada, mais objetiva. Ou seja, encontrar aquilo que ela efetivamente traz de positivo e útil, sem ignorar os impactos negativos, especialmente, para a saúde mental.
É curioso ver esse movimento emergindo justamente entre a geração Z e a geração alfa.
Talvez este seja mais um sinal de que os jovens estão descobrindo que existe um mundo além das telas.
Leia mais: Instagram lança Instants e aposta em conteúdo menos produzido