Pesquisadores iniciaram o primeiro ensaio clínico para testar tratamentos contra a cepa Bundibugyo, responsável pelo surto de ebola que atinge principalmente a República Democrática do Congo. O primeiro paciente já foi incluído no estudo, que pode representar a melhor esperança para controlar a doença.
O desafio é enorme.
Ao contrário da cepa Zaire — responsável por grandes epidemias nas últimas décadas e que já conta com vacinas e tratamentos aprovados — a variante Bundibugyo ainda não possui nenhum medicamento ou vacina específicos.
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O estudo deverá recrutar mais de 1.000 pacientes e avaliar duas estratégias terapêuticas: o anticorpo experimental MBP134, desenvolvido pela Mapp Biopharmaceutical, isoladamente e em combinação com o antiviral remdesivir, da Gilead Sciences. Ambos já demonstraram segurança em estudos anteriores, mas nunca foram testados contra essa variante do vírus.
O maior surto já registrado da variante Bundibugyo
O atual surto já se tornou o maior da história dessa cepa.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a doença já provocou mais de 1.400 casos confirmados e 438 mortes na República Democrática do Congo. Nas últimas semanas, o país tem registrado, em média, 38 novos casos por dia, enquanto equipes médicas enfrentam dificuldades para localizar pacientes, rastrear contatos e conter a transmissão em uma região marcada por conflitos armados e ataques a centros de saúde.
O Ebola não é o único problema
O impacto da epidemia vai muito além do próprio vírus.
Hospitais lotados, medo da população e dificuldades de acesso aos serviços de saúde fazem com que milhares de pessoas deixem de procurar atendimento para outras doenças comuns na região.
Entre elas está a malária.
Na República Democrática do Congo, a doença registrou cerca de 35 milhões de casos e 68 mil mortes em 2024, tornando-se uma das principais causas de mortalidade do país. Especialistas alertam que, durante epidemias de Ebola, o número de mortes indiretas provocadas pela interrupção dos serviços de saúde costuma superar o total de vítimas do próprio vírus.
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Por isso, o sucesso do novo ensaio clínico pode significar muito mais do que um tratamento contra o Ebola: pode ajudar a aliviar a pressão sobre um sistema de saúde que já opera no limite e reduzir os impactos de outras doenças que continuam matando silenciosamente.




