Fernando Haddad deixa o Ministério da Fazenda na próxima semana. O ministro confirmou a decisão nesta terça-feira (10/03) durante declaração à imprensa em Brasília. A saída ocorre para cumprir a legislação eleitoral, que exige desincompatibilização até seis meses antes da votação.
O secretário-executivo do ministério, Dario Durigan, deve assumir o comando da pasta. O prazo legal para desincompatibilização se encerra no início de abril.
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Disputa eleitoral em São Paulo
O presidente Lula solicitou a participação de Haddad na disputa ao Palácio dos Bandeirantes. A informação foi divulgada pela jornalista e comentarista da GloboNews, Ana Flor. O adversário será o atual governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), aliado do ex-presidente Jair Bolsonaro.
“Devo deixar o governo na semana que vem”, afirmou o ministro. Sobre a candidatura, Haddad declarou que “estamos conversando, estudando a que concorrer. Ainda vamos discutir. Não é só a candidatura, temos que ver o grupo de pessoas que vão compor a chapa, estamos vendo tudo isso com os cuidados devidos”.
A pesquisa Datafolha divulgada no último domingo (08/03) pelo jornal “Folha de S.Paulo” influenciou a decisão. O levantamento mostra Tarcísio de Freitas liderando de forma isolada todos os cenários testados para o governo paulista no primeiro turno das eleições de 2026. O governador aparece sempre com mais de 40% das intenções de voto.
Em um cenário de primeiro turno contra Haddad, Tarcísio registra 44% das intenções de voto. O instituto entrevistou 1.608 eleitores de 16 anos ou mais em 71 municípios entre segunda-feira (03/03) e quinta-feira (05/03). A margem de erro é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos. O nível de confiança é de 95%.
Contexto político
As pesquisas têm mostrado um segundo turno apertado entre Lula e Flavio Bolsonaro na disputa presidencial. A presença de Haddad na corrida em São Paulo tornou-se fundamental para o governo. São Paulo é o maior colégio eleitoral do país.
Em conversas internas do governo, Haddad argumentava que Lula estava em uma situação mais positiva na corrida presidencial do que em 2022. Naquele ano, o presidente disputou com Bolsonaro ocupando a cadeira de presidente. Apesar de ter demonstrado resistência, o ministro aceitou o pedido presidencial.
“Já anunciei há bastante tempo a minha intenção de deixar o governo. Tenho conversado com o presidente [Lula] sobre São Paulo”, declarou Haddad. “Vou ter uma conversa também com o vice-presidente Alckmin, com a Simone [Tebet], temos que ver como esse grupo pode ajudar, tanto a qualificar o debate em São Paulo, quanto jogar luz sobre as diferenças sobre o governo atual e o governo passado no plano federal, o objetivo é esse”.
O grupo político discutirá a composição da chapa eleitoral. As conversas envolvem o vice-presidente Geraldo Alckmin e a ministra Simone Tebet.




