Alcolumbre anuncia conversa com Motta para definir votação de veto ao PL da Dosimetria

Presidente do Senado afirma que sessão conjunta do Congresso analisará vetos pendentes, incluindo proposta vetada por Lula em 8 de janeiro que beneficiaria Bolsonaro

Por Redação TMC | Atualizado em
(Foto: Andressa Anholete/Agência Senado)

O presidente do Senado Federal, Davi Alcolumbre (União-AP), declarou que pretende conversar com o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), para estabelecer a data de uma sessão do Congresso Nacional. Nesta quarta-feira (08/04), o senador informou que a sessão conjunta será destinada para a análise de vetos presidenciais pendentes. Entre eles está o veto integral ao PL da Dosimetria, aplicado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em 8 de janeiro de 2026.

“E o meu desejo é, o mais rápido possível, nós fazermos uma sessão do Congresso Nacional para deliberarmos um assunto relevantíssimo e que carece da deliberação do Congresso, que é o veto ou a manutenção do veto do projeto de lei da dosimetria, votada no Congresso Nacional“, afirmou Alcolumbre.

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O projeto de lei foi aprovado pela Câmara e pelo Senado no fim de 2025. A proposta estabelece mecanismos que viabilizam a redução de penas aplicadas ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e a outros condenados por crimes relacionados a tentativas golpistas. O texto também abrange pessoas envolvidas nos episódios de vandalismo de 8 de janeiro de 2023.

Lula vetou integralmente a proposta em 8 de janeiro deste ano. O presidente já havia sinalizado publicamente que aplicaria o veto durante a tramitação legislativa. A decisão não surpreendeu os parlamentares.

Condenados afetados pela decisão presidencial

Bolsonaro recebeu condenação superior a 27 anos de prisão por tentativa de golpe. O ex-presidente cumpre pena na Superintendência da Polícia Federal, em Brasília.

Outros cinco condenados cumprem pena na mesma unidade: Walter Braga Netto, ex-ministro; Anderson Torres, ex-ministro; Almir Garnier, ex-comandante da Marinha; e Paulo Sérgio Nogueira, ex-ministro da Defesa.

Augusto Heleno cumpre prisão domiciliar. Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro, está em regime aberto. O ex-deputado Alexandre Ramagem (PL) encontra-se nos Estados Unidos e é considerado foragido.

O veto presidencial também afeta réus do “núcleo crucial” da trama golpista e envolvidos nos atos de 8 de janeiro de 2023.

Principais alterações propostas pelo projeto

O texto aprovado pelos parlamentares estabelece três mecanismos principais. O primeiro cria um sistema para acelerar a progressão do regime de pena para condenados por crimes contra o Estado Democrático de Direito. A progressão ocorre quando um condenado passa de uma modalidade mais severa para um regime mais brando.

O segundo mecanismo prevê redução de até dois terços da pena imposta aos vândalos comuns dos ataques de 8 de janeiro de 2023.

O terceiro estabelece que o crime de tentativa de golpe de Estado absorverá o de tentativa de abolição do Estado em caso de condenação simultânea. As penas para tentativa de golpe são maiores.

O projeto modifica as regras de progressão de regime para condenados por envolvimento com os ataques de 8 de janeiro de 2023. Pela proposta, esses condenados teriam direito a progredir ao regime semiaberto após o cumprimento de 16% da pena no regime fechado. A legislação atual exige que esses condenados cumpram ao menos 25% da pena para pleitear progressão.

Votação no Congresso Nacional

A votação para análise do veto ocorrerá em sessão do Congresso Nacional, em Brasília. A data será definida após acordo entre Alcolumbre e Motta.

A derrubada do veto presidencial exige 257 votos de deputados e 41 votos de senadores. Os parlamentares têm a prerrogativa de manter ou derrubar o veto aplicado por Lula.

Caso a proposta entre em vigor por meio da derrubada do veto, o projeto pode ser alvo de questionamentos de partidos políticos, entidades de classe, Procuradoria-Geral da República e do próprio governo. Estes são alguns dos agentes autorizados pela Constituição a entrar com ações no Supremo Tribunal Federal questionando a validade de leis.

Se o tema for levado ao Supremo, caberá aos ministros decidir se a norma está de acordo com a Constituição. Se não estiver, a lei é anulada.

Leia mais: STF discute manter desembargador no governo do RJ até outubro e propõe eleições diretas

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