O ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes é o magistrado mais conhecido do Brasil. É o que aponta uma pesquisa do Datafolha. Integrante da corte desde 2017, ele é conhecido por 89% dos brasileiros.
O estudo mediu o conhecimento da população sobre os integrantes do tribunal e avaliou o desempenho de cada magistrado. Seis dos 10 ministros são conhecidos, ao menos de “ouvir falar”, pela maioria dos brasileiros. Moraes ocupa posição de destaque no tribunal como relator de diversos inquéritos, como as investigações envolvendo fake news e a tentativa de golpe de Estado. Moraes também está no centro da crise envolvendo o Banco Master.
Cármen Lúcia, que está no STF desde 2006, é conhecida por 68% dos entrevistados. O decano Gilmar Mendes, que tomou posse em 2002, tem reconhecimento de 62% da população.
Kassio Nunes Marques, no STF desde o fim de 2020, é conhecido por 30% da população. André Mendonça, no tribunal desde o fim de 2021, tem 42% de reconhecimento. Cristiano Zanin, penúltimo indicado por Lula (PT) a tomar posse em 2023, marca 37%.
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Moraes lidera lembrança espontânea
Na pergunta espontânea, 49% lembraram o nome de pelo menos um membro da corte. Moraes foi citado por 39% dos respondentes. Cármen aparece com 10%. Flávio Dino tem 8%.
As perguntas foram realizadas em dois formatos distintos. Nas respostas estimuladas, os nomes dos integrantes do tribunal foram citados um a um.
Avaliação dos ministros
O Datafolha calculou um índice de avaliação dos magistrados considerando a taxa de menções positivas menos a taxa de menções negativas. André Mendonça tem o melhor índice de avaliação, com 26. Para 39% dos que o conhecem, ele é ótimo ou bom. Apenas 13% o classificam como ruim ou péssimo.
Em fevereiro deste ano, Mendonça foi sorteado para assumir a relatoria do processo sobre o Banco Master. A designação ocorreu após semanas de desgaste que resultaram na saída de Dias Toffoli da condução do caso. Como relator, Mendonça determinou a nova prisão do ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
Dias Toffoli, antecessor de Mendonça na relatoria do caso Master, apresenta o pior índice de avaliação entre os ministros do STF. Apenas 19% dos entrevistados o avaliam como ótimo ou bom. O percentual de ruim ou péssimo é de 35%, resultando em um índice de -16. O ministro é conhecido por 54% da população.
Toffoli foi alvo de críticas recentes devido a suspeitas de ligações com o Banco Master. As suspeitas colocaram em dúvida sua parcialidade para conduzir o processo.
Alexandre de Moraes também enfrenta pressão no caso Banco Master. Houve revelações de que o escritório de sua esposa mantinha contrato milionário com o banco. Mensagens trocadas com Vorcaro também vieram à tona. O ministro nega as acusações.
Moraes sustenta nível de avaliação superior ao de Toffoli. O percentual de ótimo ou bom é de 33%. A avaliação ruim ou péssimo atinge 41%, totalizando um índice de -8.
Moraes ganhou destaque público ao assumir protagonismo em medidas de defesa do tribunal e de seus membros. O ministro conduz investigações direcionadas ao bolsonarismo.
Cármen Lúcia, única mulher na corte, registra o segundo melhor índice de aprovação geral. A ministra obtém 42% de avaliação positiva. O percentual de ruim ou péssimo é de 25%, formando um índice de 17.
A avaliação dos ministros varia conforme a preferência eleitoral dos entrevistados. Entre aqueles que declaram intenção de votar em Lula nas eleições deste ano, o percentual de ótimo ou bom de Moraes alcança 66%. A avaliação ruim ou péssimo cai para 7%.
O cenário se inverte entre os eleitores de Flávio Bolsonaro (PL). Neste grupo, a avaliação positiva de Moraes é de 7%. A negativa atinge 74%. Entre quem afirma que votará em branco, nulo ou em nenhum candidato, o índice de ruim ou péssimo é de 37%. O percentual de bom ou ótimo é de 21%.
Entre os declarantes de voto em Flávio Bolsonaro, os ministros mais bem avaliados são Mendonça, com 50% de ótimo ou bom, seguido por Luiz Fux, que alcança 32%. Fux foi o único a votar a favor do pai de Flávio em julgamento da trama golpista na Primeira Turma do STF. Kassio Nunes Marques tem 18% de avaliação positiva neste grupo.
A avaliação de Cármen Lúcia apresenta variação conforme o perfil político dos entrevistados. Entre os eleitores de Flávio Bolsonaro, sua avaliação positiva cai para 13%. O percentual alcança 72% entre aqueles que preferem Lula.
As perguntas foram realizadas pela primeira vez pelo instituto. Não há dados comparativos anteriores que permitam avaliar a evolução do reconhecimento e da avaliação dos ministros ao longo do tempo.




