O Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) decide nesta quarta-feira (29) como vai ficar a taxa básica de juros do Brasil. Analistas do mercado financeiro projetam uma redução de 0,25 ponto percentual na Selic, que passaria de 14,75% para 14,5% ao ano. O dia é conhecido como ‘superquarta” pelo fato do Federal Reserve deve manter a taxa de juros de referência na faixa de 3,50% a 3,75%. O patamar está no mesmo nível desde dezembro.
O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, conduzirá a reunião com cinco diretores. Rodrigo Teixeira, diretor de Administração, não participará devido ao falecimento de um familiar. Duas cadeiras permanecem vagas nas diretorias de Política Econômica e de Organização do Sistema Financeiro. O governo Lula (PT) ainda não indicou novos nomes para os cargos.
A decisão ocorre em contexto de incertezas relacionadas ao conflito no Oriente Médio. Há pressões sobre os preços de combustíveis e alimentos.
Impacto da guerra
O ritmo de cortes de juros deve ser mais lento ao longo do ano ou até ser suspenso. O ciclo de queda da Selic tende a ser mais curto do que o projetado pelos agentes econômicos em fevereiro, quando Estados Unidos e Israel lançaram ofensiva contra o Irã. Com a guerra no Oriente Médio e a alta no preço dos combustíveis, a expectativa é de que o Banco Central adote uma posição mais conservadora, com possibilidade de cortes menores ou até suspensão da redução.
Expectativa de inflação
O boletim Focus divulgado na segunda-feira (27) registrou alta na expectativa para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 2026 pela sétima semana consecutiva. A projeção alcançou 4,86%, superando o teto da meta perseguida pelo Banco Central de 4,5%.
Para 2027, prazo que o Copom acompanha devido aos efeitos defasados da política de juros sobre a economia, a estimativa de inflação chegou a 4%. O valor estava em 3,84% quatro semanas antes. A projeção do IPCA para 2028 também subiu para 3,61%.
No acumulado de 12 meses até abril, o IPCA-15 (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15) acelerou a 4,37%. A alta foi impulsionada pelo aumento dos combustíveis com a guerra no Irã e pelo avanço do custo dos alimentos.
O barril Brent encerrou terça-feira (28) cotado a US$ 104,82. O dólar vem sendo negociado abaixo de R$ 5. Os investidores aguardam as decisões de juros do Brasil e dos Estados Unidos.




