A rejeição do nome de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF) provocou forte repercussão entre parlamentares da oposição e aliados do governo nesta quarta-feira (29/04). Enquanto oposicionistas celebraram o resultado como uma demonstração de força do Congresso, governistas criticaram a decisão e apontaram motivação política.
Entre os principais nomes da oposição, o deputado Nikolas Ferreira afirmou que o resultado reflete consequências inevitáveis no cenário político. “Há uma lei que nem mesmo o STF pode derrubar, que é a da semeadura: o que se planta, se colhe”, escreveu nas redes sociais.
Já o líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante, classificou a decisão como um marco na relação entre os Poderes. “Hoje o Senado deu um recado claro ao Brasil. Não foi apenas uma votação. Foi um sinal político. O Congresso começa a reagir. Começa a retomar seu papel”, declarou.
Ele também elogiou os senadores que votaram contra a indicação. “Hoje não foi a rejeição de um nome. Foi o enfrentamento de um modelo. Quando o Senado se posiciona, muda o jogo”, completou.
Na mesma linha, o senador Marcos Rogério destacou a articulação que resultou na rejeição de Messias. “A oposição se manteve firme do começo ao fim. Quando há união e clareza de posição, o resultado aparece. Hoje foi dia de dar um recado claro”, afirmou.
O senador Rogério Marinho também comemorou o resultado e ressaltou o papel institucional do Congresso.
“Me desculpem os arroubos, mas é bom saber que o Senado ainda pode exercer o seu papel constitucional. O dia de hoje marca o início do retorno à normalidade democrática. Devolveremos o Brasil aos brasileiros. O Parlamento ainda respira!”, declarou.
Já o senador Sergio Moro (PL-PR) classificou a decisão como um marco histórico. “Vitória histórica no Senado Federal da população brasileira. O AGU Jorge Messias foi rejeitado. Queremos um STF independente de Lula e do Poder Executivo, vinculado apenas à lei e à Constituição”, afirmou.
Na Câmara, o deputado Kim Kataguiri (Missão-SP) criticou a indicação e relembrou episódios passados envolvendo Messias. “Eu já estava indignado a Comissão de Constituição e Justiça ter aprovado. Mas, então, o plenário do Senado Federal impõe a primeira derrota da história da Nova República na indicação de um ministro do Supremo Tribunal Federal. Aquele que era um mero carregador de pastas da Dilma. Aquele que era o áudio, o ‘Bessias’, que ia levar o termo de posse para que Lula assumisse a Casa Civil e ganhasse foro privilegiado e escapasse da Lava Jato”, disparou em discurso no plenário da Câmara dos Deputados ao tomar conhecimento da derrota. “Finalmente o Senado parece ter acordado.”
Do lado governista, o ministro da Secretaria Geral da Presidência Guilherme Boulos criticou duramente a rejeição. “A aliança entre bolsonarismo e chantagem política venceu na rejeição ao nome de Jorge Messias ao STF. O Senado sai menor desse episódio lamentável”, escreveu.
O presidente do PT, Edinho Silva, também se pronunciou e disse que “o Senado Federal, ao rejeitar a indicação de Jorge Messias, comete um grave erro, politizar uma indicação para um cargo onde a formação técnica é o mais relevante. Essa postura do Senado Federal também gera uma importante instabilidade institucional. Há 130 anos que uma indicação para a Suprema Corte não é recusada. Mais uma atribuição do Poder Executivo é esvaziada pelo Legislativo.”
A decisão marca um episódio raro na política brasileira, evidenciando o aumento da tensão entre o Executivo e o Legislativo. O resultado também reforça a disputa narrativa entre governo e oposição sobre o papel do Senado e os limites da articulação política em indicações ao Supremo.
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