Lula vai indicar novo nome ao STF, diz líder do governo no Congresso

Jorge Messias precisava de 41 votos favoráveis mas recebeu apenas 34, enquanto 42 senadores votaram contra indicação na quarta-feira

Por Redação TMC | Atualizado em
(Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva vai indicar outro nome para o Supremo Tribunal Federal (STF). O senador Randolfe Rodrigues (PT-AP), líder do governo no Congresso, confirmou a informação nesta quinta-feira (30/04). A declaração ocorreu um dia após o Senado rejeitar a indicação de Jorge Messias para a corte.

Messias teve a indicação rejeitada após receber apenas 34 votos favoráveis — ele precisava de 41. Outros 42 senadores votaram contra o indicado de Lula.

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Randolfe afirmou que o governo já esperava dificuldades na votação. “O presidente obviamente vai avaliar, vai ver qual é o melhor momento, mas essa atribuição é do presidente da República a indicação, assim como a atribuição do Senado Federal fazer a sabatina dos indicados ao Supremo Tribunal Federal e aprovar”, defendeu o senador.

O líder do governo não estabeleceu prazo para a nova escolha. Segundo ele, Lula avaliará o cenário político antes de apresentar outro indicado ao Senado.

O parlamentar enfatizou que a indicação de ministros para o Supremo é atribuição constitucional do presidente. “Por que razão o presidente da República iria abdicar de sua atribuição? Até 1º de janeiro, foi eleito, pelo povo brasileiro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. E, se tem um presidente na história desse país que sabe o que é exercer as atribuições de presidente, é ele”, afirmou.

Randolfe comparou o resultado com votações anteriores para demonstrar que a dificuldade era previsível. O procurador-geral da República foi aprovado com 45 votos. O ministro Flávio Dino obteve 47 votos quando foi aprovado para o STF.

“Nós já sabíamos da dificuldade. A última sabatina e votação foi de quem? A votação do PGR [procurador-geral da República], ele foi aprovado por 43 votos [foram 45 votos, na realidade]. Anteriormente, o ministro Flávio Dino [do STF] foi aprovado por 47 votos. Então, a dificuldade para a escolha, para a votação, era algo previsível. Não é nenhuma novidade. Nós sabemos que tinha a possibilidade da vitória, nós sabemos que tínhamos a possibilidade da derrota.”

O senador classificou a derrota como parte do processo democrático. “Estava dentro do jogo democrático”, disse. Ele atribuiu o resultado à influência do calendário eleitoral. “Nós não queríamos que fosse contaminado pela eleição. A oposição fez essa escolha”, declarou.

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Randolfe rebateu declaração do pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro sobre a derrota representar o “fim” do governo Lula. “A escolha sobre quem vai ser o próximo presidente da República vai ser ao povo brasileiro. Então, é muito cedo para ele fazer julgamento de começo ao fim do governo presidencial”, afirmou.

Messias declarou após a rejeição que “sabemos quem provocou tudo isso”. O ministro afirmou ter passado por desgaste nos meses anteriores à votação. “Passei por cinco meses de um processo de desconstrução da minha imagem. Toda sorte de mentiras para me desconstruir ocorreu”, disse.

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), é apontado como principal articulador da rejeição a Messias. Alcolumbre defendia a indicação do senador Rodrigo Pacheco (PSB-MG) para a vaga no STF. A escolha de Messias por Lula gerou tensão com o presidente do Senado. Alcolumbre não foi previamente consultado sobre a indicação. Ele evitou se comprometer publicamente com o apoio ao nome escolhido pelo presidente da República.

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