A União Europeia (UE) retirou o Brasil da lista de países autorizados a exportar carne e animais vivos ao bloco. A decisão foi publicada nesta terça-feira (12/05) e passa a valer a partir de 3 de setembro.
Segundo a agência France Presse, a exclusão aconteceu porque o governo brasileiro não forneceu garantias de que a pecuária nacional não utiliza antimicrobianos, substâncias usadas para prevenir infecções em animais.
A UE proíbe que animais sejam tratados com antibióticos reservados para infecções humanas. O bloco também veta o uso dessas substâncias para acelerar o crescimento dos rebanhos.
A Europa representa o segundo maior mercado de destino das exportações brasileiras de carnes em geral, conforme dados do Agrostat, sistema do Ministério da Agricultura.
No caso específico da carne bovina, o bloco europeu ocupa a terceira posição em valor exportado pelo Brasil, atrás de China e EUA.
Na versão anterior da lista, divulgada em 2024, o Brasil aparecia como país autorizado a comercializar esses produtos com a UE.
Política de combate à resistência microbiana
As restrições impostas pela UE integram uma política mais ampla do bloco para enfrentar a resistência de micróbios a medicamentos — fenômeno que ocorre quando bactérias e outros microrganismos desenvolvem defesas contra antibióticos.
Por que isso importa: Quando antimicrobianos são usados em excesso na pecuária, bactérias resistentes podem chegar aos humanos pela cadeia alimentar, tornando infecções mais difíceis de tratar.
Christophe Hansen, comissário europeu para a Agricultura, defendeu a medida: “Nossos agricultores seguem alguns dos padrões de saúde e antimicrobianos mais rigorosos do mundo. Portanto, é legítimo que os produtos importados estejam sujeitos aos mesmos requisitos. A decisão tomada hoje demonstra que o sistema europeu de controle funciona”.
O que são antimicrobianos
Antimicrobianos são medicamentos que combatem infecções causadas por bactérias, fungos e outros microrganismos. Na pecuária, podem ser usados tanto para tratar animais doentes quanto para prevenir doenças em rebanhos.
O problema surge quando essas substâncias são aplicadas de forma indiscriminada — inclusive para estimular o ganho de peso dos animais, prática comum em alguns países produtores.
A lista atualizada pela UE define quais nações podem comercializar produtos de origem animal com o bloco. Países excluídos precisam apresentar novas garantias sanitárias para recuperar a autorização.




