Menos de dez dias após o acordo de paz e a consequente reabertura do Estreito de Ormuz, o preço do barril de petróleo, que chegou a atingir US$100, voltou ao patamar registrado antes do início do conflito entre Estados Unidos e Irã.
O acordo firmado prevê um cronograma de 60 dias para a negociação de um tratado de paz definitivo. O memorando foi assinado em 17 de junho e estabelece o fim imediato das operações militares, além da reabertura do Estreito de Ormuz sem a cobrança de taxas para a passagem de navios.
Segundo o economista e especialista em petróleo Adriano Pires, o retorno aos valores pré-conflito surpreendeu o mercado.
“O impacto imediato foi a queda brutal no preço do barril. Isso demonstra que a oferta de petróleo voltou à normalidade e me surpreendeu bastante. Não imaginava que isso aconteceria tão rapidamente.”
Na última quinta-feira (24), o petróleo tipo Brent, referência internacional para o mercado, fechou o dia em queda de 4,33%, cotado a US$73,74 por barril. Esse é o menor valor desde 27 de fevereiro, um dia antes dos ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irã.
Mesmo em um momento positivo para o mercado, ainda há incertezas sobre a formação dos preços no médio e longo prazo. Na avaliação de Edmar de Almeida, professor e pesquisador do Instituto de Energia da PUC-Rio, o cenário atual dificilmente será mantido.
“Esse é um efeito de curto prazo. Não acredito que seja sustentável manter o preço nesse patamar de US$70 por muito tempo. Esse volume que estava estocado nos navios chegará ao mercado, a logística precisará ser restabelecida e os estoques dos países consumidores terão de ser recompostos. Isso aumentará a demanda por petróleo e os preços devem voltar a subir nas próximas semanas.”
Segundo especialistas ouvidos pela reportagem, o mercado norte-americano também deve se beneficiar da normalização do abastecimento. Com a redução dos custos ligados à energia, haverá maior disponibilidade de recursos para consumo e investimentos, como destaca Alex Agostini, economista-chefe da Austin Rating.
“O preço do petróleo mais baixo melhora a renda disponível. Nos Estados Unidos, há um alívio na inflação de custos por conta dessa queda. Sobra mais dinheiro para o consumidor americano, o que pode continuar impulsionando uma atividade econômica que segue bastante resiliente no país.”
Apesar do cenário positivo observado nos últimos dias, Adriano Pires demonstra preocupação com a dependência logística do Estreito de Ormuz.
“Não existe alternativa ao Estreito de Ormuz. O que precisa ser feito é uma tentativa de desconcentrar a oferta de petróleo da região, com o aumento da produção em países como a Venezuela, para reduzir essa dependência. Por ali passa cerca de 20% do petróleo consumido no mundo. No curto prazo, não vejo alternativa.”




