O presidente Lula disse a aliados que estuda indicar novamente o Advogado-Geral da União, ministro Jorge Messias, para a vaga que está aberta no Supremo Tribunal Federal. A primeira indicação do ministro foi rejeitada pelo Senado ao não conseguir os 41 votos necessários para que ele assumisse a vaga efetivamente. Messias teve, ao todo, 34 votos e pela primeira vez desde o século XIX uma indicação presidencial foi negada.
Nos bastidores, Lula classificou a rejeição como uma afronta política e falou em traição do presidente do Senado. Davi Alcolumbre teria articulado o parecer desfavorável ao AGU horas antes da votação em plenário.
Os aliados do presidente acreditam que o cenário segue desfavorável ao governo e temem uma nova rusga com o Senado às vésperas das eleições. A avaliação é que se isso acontecer novamente, Lula vai mostrar que perdeu força e políticos da direita vão usar essa situação durante a campanha eleitoral. O presidente ainda avalia as possibilidades, mas um aliado muito próximo a Lula disse que ele garantiu a Messias que a cadeira deixada pelo ministro aposentado Luís Roberto Barroso será dele.
Impasses Regimentais
Caso Lula insista no AGU, a apreciação dos senadores só deverá acontecer em 2027 – caso Lula vença as eleições. Há uma norma de caráter administrativo, aprovada em 2010, que diz que um nome rejeitado pelo plenário não pode ser apreciado na mesma sessão legislativa.
É com base nessa norma interna que os aliados do presidente no Senado tentam convencê-los de que uma nova indicação de Jorge Messias pode não ser a melhor estratégia. Nesse sentido, Lula deveria buscar uma outra alternativa. No momento, o nome já descartado é do senador Rodrigo Pacheco. Apesar de ele ser um aliado muito próximo do presidente, Pacheco era o nome de preferência de Alcolumbre, e indicá-lo seria o mesmo que assumir a derrota e fazer a vontade de quem hoje é chamado de traidor.