Uma operação policial em andamento no Complexo da Maré, no Rio de Janeiro, tem como alvo integrantes do Terceiro Comando Puro (TCP). Ao todo, foram expedidos 56 mandados de prisão e 42 de busca e apreensão. Até a última atualização, sete homens haviam sido detidos na manhã desta quarta-feira (10/06).
A ação conta com a participação do Bope (Batalhão de Operações Policiais Especiais) e do Core e é coordenada pela 21ª Delegacia de Polícia (DP) de Bonsucesso. As investigações se desdobram em seis frentes distintas, que abrangem roubos de carga, furtos de celular, tentativa de homicídio, exploração sexual infantil, violência doméstica e assaltos na Avenida Brasil.
Um dos achados centrais da investigação é o papel do Baile da Disney na estrutura econômica do TCP. O evento, descrito pelos investigadores como um “megaevento realizado no campo da Vila do João”, foi classificado como “elemento central da estrutura de lavagem de dinheiro” da facção.
“O evento, que se tornou referência popular por sua produção temática com decoração, pirotecnia, atrações circenses e personagens infantis, foi identificado pelos investigadores como plataforma de monetização ampla do crime organizado”, descreveu a polícia.
Segundo as apurações, o baile “opera como canal de escoamento imediato de mercadorias roubadas e permite arrecadação concentrada com bebidas, alimentos e espaços sob controle exclusivo da facção”. A renda gerada pelo evento ainda “viabiliza o pagamento de cachês e ‘presenças VIP’ a figuras públicas”. Em edições anteriores, foram registrados homens armados com fuzis ostentando as armas no meio da multidão. “Em um dos registros, estimou-se a presença de cerca de 40 armas durante um cortejo armado“, ressaltou a polícia.
Roubos de carga e celulares
O TCP transferiu sua central logística de roubos de carga do Complexo da Pedreira para a Maré. A facção usa motocicletas e veículos de suporte para interceptar caminhões em vias expressas. As investigações apontam que o material subtraído “não era simplesmente revendido de forma improvisada”: “estabelecimentos comerciais da região foram utilizados para a receptação, armazenagem e revenda das cargas subtraídas, integrando a cadeia econômica do tráfico”, segundo os investigadores.
A 21ª DP destacou ainda que “O Complexo da Maré passou a centralizar o recebimento, o controle e a distribuição das mercadorias. Essa transição foi acompanhada de intensificação dos confrontos armados, com registro de tiroteios entre criminosos e policiais nas vias de acesso à Maré, envolvendo fuzis e alcançando inclusive blindados da PM”.
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Na frente de celulares, a facção mantinha uma “tabela de recompensas”: aparelhos desbloqueados valiam até R$ 2.500, enquanto os bloqueados rendiam entre R$ 300 e R$ 600. Vítimas eram coagidas a desbloquear os dispositivos durante o próprio assalto. Um “gerente operacional” do esquema distribuía armas e motos roubadas e fixava metas de arrecadação. Dois homens detidos em flagrante por roubo de celular em junho de 2025 colaboraram com as investigações, fornecendo “informações detalhadas sobre o funcionamento do esquema criminoso”.
Os dados do Instituto de Segurança Pública (ISP) reforçam a dimensão do problema: a circunscrição da 21ª DP acumulou 4.328 registros de roubo de veículo e 1.350 de roubo de carga no período de janeiro de 2020 a junho de 2026.




