Bruno Rizzi
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Bruno Rizzi é sócio da consultoria Fatto Inteligência Política e analista político com mais de 10 anos de experiência. Com passagens pela gestão pública e pelo mercado financeiro, é especialista em conectar o setor privado às dinâmicas da política. Possui MBA pela FGV e é pós-graduando em História, Política e Sociedade pela Escola de Politica e Sociologia de São Paulo.

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Menos nomes, mais imbróglio: os movimentos que não entregaram SP a Tarcísio

Saídas de Serra e Kim reduzem fragmentação, mas cenário eleitoral paulista segue aberto e sujeito a novas movimentações

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(Foto: João Valério/Governo do Estado SP)

As desistências de Paulo Serra (PSDB) e Kim Kataguiri (MISSÃO) da disputa pelo governo de São Paulo, quase simultaneamente nos últimos dias, chegou a transmitir a impressão de uma grande articulação de Tarcísio de Freitas para consolidar sua candidatura como o principal nome da direita e liquidar a eleição já no primeiro turno.

Mas, após a maré baixar, alguns perceberam que estavam nadando nus.

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Isso porque nenhum dos partidos declarou apoio ao governador. Pelo contrário, o MISSÃO já descartou uma aliança com Tarcísio de Freitas. O presidente da sigla, Renan Santos, que também é pré-candidato à Presidência, defende a candidatura de um nome próprio ao Palácio dos Bandeirantes.

Do lado do PSDB, ao perceber uma inclinação de alguns tucanos paulistas a apoiarem Tarcísio em troca de participação em um eventual governo, Aécio Neves, presidente nacional do partido, tratou de impor sua autoridade. Segundo ele, a definição final sobre apoios a candidatos majoritários caberá ao comando nacional da federação formada por PSDB e Cidadania — presidida pelo próprio Aécio. Entre integrantes da legenda, há quem avalie que esse apoio sequer ocorrerá e que o partido deverá permanecer neutro, concentrando esforços em escapar da disputa polarizada e preservar sua representação no Congresso Nacional.

A lógica é simples. Assim como o MISSÃO e as demais siglas, o PSDB depende da manutenção de sua força eleitoral para garantir acesso ao fundo partidário, distribuído de acordo com o desempenho obtido na última eleição para a Câmara dos Deputados. Para ter acesso aos recursos, os partidos precisam superar a cláusula de barreira, alcançando ao menos 2% dos votos válidos em âmbito nacional — com mínimo de 1% em nove estados — ou elegendo pelo menos 11 deputados federais distribuídos em nove unidades da Federação.

Não bastasse esse imbróglio de bastidores, aliados do ex-governador de São Paulo, ex-ministro de Lula e histórico parceiro de Geraldo Alckmin, Márcio França (PSB), passaram a defender sua candidatura ao Palácio dos Bandeirantes como forma de retirar votos de Tarcísio.

Vale lembrar que Márcio França, hoje aliado do presidente Lula, já foi um nome forte do campo de centro-direita paulista ao lado de Alckmin. Assumiu o governo do estado após a saída do então governador para disputar a Presidência da República em 2018 pelo PSDB.

Ainda existe, portanto, uma espécie de “memória afetiva” entre parte do eleitorado de centro em relação ao nome de França, o que poderia, eventualmente, atrair votos que hoje estariam com Tarcísio.

As avaliações dentro do PT divergem sobre essa estratégia. Parte da legenda vê a hipótese com bons olhos, mas ressalta que nenhuma decisão será tomada agora e que pesquisas qualitativas e quantitativas ainda deverão ser realizadas para compreender melhor esse cenário.

Outra ala, em linha semelhante à defendida pelo histórico dirigente petista José Dirceu — que lançou sua pré-candidatura a deputado federal por São Paulo e participou ontem de entrevista ao programa “Frente a Frente”, do UOL —, considera a estratégia equivocada. O argumento é que, da mesma forma que França poderia retirar votos de Tarcísio, também retiraria de Fernando Haddad, possivelmente em proporção ainda maior.

A disputa pelo governo de São Paulo tem um objetivo central para o PT, ainda que raramente explicitado publicamente: garantir um palanque forte para Lula no maior colégio eleitoral do país, tanto no primeiro quanto no segundo turno.

A estratégia petista de tentar “perder por menos” no estado é consequência direta do que ocorreu em 2022, quando Lula e Haddad registraram desempenhos bastante semelhantes. O placar de 55% a 45% em São Paulo foi fundamental para a construção da vitória nacional de Lula.

Nesse contexto, o que mais preocupa o PT em uma eventual vitória de Tarcísio no primeiro turno não é apenas a derrota estadual em si, mas o efeito político subsequente. Historicamente, governadores eleitos já na primeira rodada costumam ampliar sua capacidade de transferir apoio e abrir vantagem para seus respectivos candidatos à Presidência da República no estado.

Na política, a saída de candidatos nem sempre significa uma transferência automática de votos para outro(s) nome(s) politicamente alinhados — e, muitas vezes, abre espaço para novos movimentos nesse complexo tabuleiro.

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