Toda eleição tem suas palavras de ordem. Desta vez, duas delas já dominam o debate: soberania, defendida por Lula, e segurança, levantada pelo bolsonarismo.
O problema é que ambas parecem mais slogans eleitorais do que projetos capazes de enfrentar a realidade do país.
A promessa de segurança esbarra em um fato evidente: o crime organizado já não está apenas nas ruas. Ele se infiltrou em diferentes setores da sociedade e, em muitos casos, desafia a própria autoridade do Estado.
Reverter esse cenário exigiria décadas de trabalho sério, instituições fortalecidas e um combate permanente à corrupção.
A soberania enfrenta o mesmo obstáculo. Como falar em um país plenamente soberano quando há regiões em que o Estado perdeu espaço para organizações criminosas?
Não basta erguer a bandeira do patriotismo se, na prática, o poder público não consegue exercer sua autoridade em todo o território nacional.
No fim, as duas ideias estão profundamente ligadas. Não existe soberania sem segurança, e não há segurança em um Estado fragilizado pela corrupção e pela presença do crime organizado.
Ainda assim, ambas continuam sendo palavras poderosas em campanhas eleitorais, justamente porque despertam emoções e exigem poucas explicações.
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