Toda vez que um escândalo ameaça alcançar o coração de Brasília, o roteiro parece o mesmo. Antes de surgirem as respostas, já começa a tentativa de desqualificar quem investiga.
A pizza nem assou, mas alguém já prepara a mesa.
Agora, o debate gira em torno de um suposto “erro crasso” do ministro André Mendonça na investigação do Banco master.
A expressão é conveniente. Em vez de discutir os fatos, passa-se a discutir o investigador. O foco muda, a pressão diminui e o sistema ganha tempo.
É assim que Brasília costuma funcionar. Quando uma apuração ameaça atravessar fronteiras inconvenientes, surgem argumentos jurídicos, discursos indignados e comparações com investigações do passado.
Enquanto isso, as suspeitas ficam em segundo plano.
No Brasil, a lei pesa de forma diferente. Para quem está no topo do poder, quase sempre existe uma saída. Para os demais, sobra o rigor. É por isso que continuo desconfiando quando vejo tanta preocupação com o procedimento e tão pouca com o conteúdo.
Talvez eu esteja errado. Mas minha impressão é simples: quando o escândalo chega perto demais das majestades de Brasília, a pizza quase sempre termina servida antes que a Justiça consiga chegar à mesa.
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