Flávio Bolsonaro discute tarifas de Trump a produtos brasileiros em audiência nos EUA

Com prazo de 15/07 para medidas corretivas, Brasil e oposição adotam estratégias opostas diante da proposta americana de sobretaxa de 25% via Seção 301

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REUTERS/Alexandre Meneghini/File Photo

Flávio Bolsonaro desembarcou em Washington neste domingo (05/07) e participará nesta terça de audiência pública sobre a proposta americana de impor tarifa adicional de 25% a produtos brasileiros. O senador, que figura entre os pré-candidatos à Presidência, deverá manifestar oposição tanto à sobretaxa quanto às medidas relacionadas ao PIX brasileiro — postura que o coloca em rota oposta à estratégia adotada pelo governo federal.

A audiência está marcada para os dias 6 e 07/07 e é organizada pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), entidade encarregada de elaborar e conduzir a política comercial americana. A proposta tarifária tem como fundamento a Seção 301, mecanismo que autoriza o governo dos EUA a retaliar práticas comerciais tidas como desleais. Washington tem até 15/07 para definir eventuais ações punitivas em relação ao Brasil.

A tarifa proposta ainda não entrou em vigor.

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Posições divergentes

O senador articulou com representantes do governo Trump antes da audiência. Em declaração, afirmou que a sobretaxa prejudicaria tanto a economia americana quanto os brasileiros favoráveis a uma relação construtiva com os EUA. Segundo ele, as tarifas propostas recompensariam o atual governo brasileiro pela própria estratégia que tem adotado: “obstruir negociações sérias, provocar retaliações e, em seguida, converter essa retaliação em uma vitória política interna. Pior ainda, os custos recairiam sobre a economia americana e sobre os brasileiros mais comprometidos com o relacionamento construtivo com os EUA”.

O Ministério das Relações Exteriores informou que o governo brasileiro enviará apenas observadores à audiência. O ministro Mauro Vieira assinou documento afirmando que o USTR não comprovou que os atos brasileiros sejam discriminatórios, argumento central da defesa do país.

O Itamaraty avalia que o fórum das audiências públicas não constitui o ambiente propício para uma negociação efetiva. Segundo o Ministério das Relações Exteriores, “o entendimento do governo brasileiro é que este espaço, das audiências públicas, não é o adequado para negociação real, e sim, as conversas técnicas e de alto nível que têm havido nas últimas semanas e que estão programadas para os próximos dias.”

Quem mais participa

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) será representada pelo embaixador Roberto Azevedo. A Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados) terá Letícia Sperb Masselli como representante.

O governo americano sinalizou a possibilidade de isentar da sobretaxa um conjunto de produtos tidos como estratégicos, incluindo café, carne, frutas, aeronaves, fertilizantes e minerais críticos. Na prática, isso significa que parte das exportações brasileiras pode escapar da tarifa adicional, a depender do resultado das negociações.

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