Nesta quinta-feira (09/07), a Revolução Constitucionalista de 1932 completa 92 anos. O movimento teve início em 09/07 de 1932, encerrando-se com a rendição dos constitucionalistas em 02/10 de 1932. Para Campinas, o conflito deixou marcas que vão além da memória: a cidade foi um polo logístico central do levante paulista contra o governo de Getúlio Vargas.
O jornalista Luiz Roberto Saviani Rey, autor de “O Menino Herói da Guerra Paulista – O Bombardeio de Campinas”, relatou ao g1 que a área onde está instalado o Aeroporto de Viracopos serviu como base aérea improvisada ao longo dos meses de julho, agosto e setembro de 1932. Segundo ele, “Durante os meses de julho, agosto e setembro de 32, os paulistas, cujo comando situava no Largo São Sebastião, no centro de Campinas, utilizaram o espaço de Viracopos, então um embrião de aeroporto, para operações aéreas do movimento, que foram intensas”.
As pistas eram precárias, conforme registrou Saviani Rey, “Muitas vezes, os soldados paulistas cavavam com ferramentas à mão as pistas improvisadas”. O local só seria formalizado como aeroporto em 1946, por decreto do prefeito Joaquim de Castro Tibiriçá.
Os aviões constitucionalistas, conhecidos como Gaviões do Penacho e vindos do Campo de Marte, eram poucos. A Força Aérea Brasileira (FAB) registra que o movimento dispunha de apenas 4 a 6 aeronaves. Ainda assim, as operações em Viracopos foram intensas durante os três meses do conflito, segundo Saviani Rey.
A Estação de Campinas no centro da guerra
A Estação de Campinas, hoje conhecida como Estação Cultura, concentrava o comando de guerra local. Conforme relata Saviani Rey, “A estação concentrava o comando de guerra, instalado no Largo do Rosário. Dela partiu, inicialmente, em julho, o trem levando os dois mil voluntários de Campinas para Itapira, com vistas à Batalha de Eleutério, na divisa com Minas Gerais. Em seguida, os trens que transportavam munição e suprimentos às tropas”.
A importância estratégica da estação a tornou alvo. Em 18/09 de 1932, aviões federais bombardearam o local. Segundo Saviani Rey, “Ocorreram ataques aéreos a casas e empresas próximas da estação, como a Companhia McHardy. A Casa de Saúde também sofreu ataques”. Ao todo, Campinas sofreu 10 ataques aéreos durante a revolução.
O escoteiro de 9 anos que virou herói
O bombardeio de 18/09 resultou em aproximadamente 20 pessoas gravemente feridas, além de uma vítima fatal que se tornaria símbolo: com apenas 9 anos, o escoteiro Aldo Chioratto morreu no ataque e foi considerado herói da cidade. Sua memória é preservada até hoje no Mausoléu dos Voluntários de 1932 e no Cemitério da Saudade.
O Campo dos Amarais, outra base ligada à aviação da época, foi inaugurado em 1939, sete anos após o conflito.




