Em meio à corrida para viabilizar a candidatura do senador Flávio Bolsonaro à Presidência da República, o Partido Liberal (PL) tem como estratégia pedir um voto de confiança às cegas. Em entrevista exclusiva à TMC, o presidente nacional da sigla, Valdemar Costa Neto, minimizou a necessidade de apresentar um projeto estruturado para o Brasil.
Questionado sobre a ausência de um debate programático por parte da oposição, Valdemar foi franco ao admitir que a única meta do partido no momento é tirar a atual gestão do poder. O cacique político usou o próprio ex-presidente Jair Bolsonaro como exemplo de sucesso dessa tática, afirmando que ele assumiu o país “sem proposta nenhuma” e ainda assim fez um excelente mandato.
Segundo o dirigente, a simples troca de comando para “o pessoal da direita” e de “gente séria” já seria o suficiente para resolver os déficits da máquina pública, que ele criticou pelo excesso de ministérios.
O tom da entrevista esquentou quando Valdemar foi alertado pelo repórter Igor Damasceno de que lançar um candidato sem dizer o que ele pretende fazer com o país seria um “tiro no escuro” para os brasileiros. Irritado com a premissa, o dirigente classificou a cobrança como “bobagem”.
“O povo brasileiro não tem condições de ver isso. O povo brasileiro, esse negócio de proposta, não vale nada. O que vale é o que o camarada vai fazer depois“, disparou.
Apesar de rechaçar a importância de um roteiro administrativo antes da eleição, Valdemar tentou recuar logo em seguida, prometendo que a sigla está, sim, elaborando um plano de governo que será “uma maravilha”. No entanto, o constrangimento ficou evidente na sequência. Ao ser desafiado a citar pelo menos a principal diretriz desse suposto plano, o presidente do PL gaguejou e recorreu a uma pauta genérica e antiga do bolsonarismo — o fim da maioridade penal —, sem conseguir apontar nenhuma diretriz concreta para a economia ou outras áreas estruturais do país.
A declaração escancara a aposta do partido de surfar na polarização política e no sentimento de oposição, priorizando o alinhamento ideológico em detrimento do planejamento de políticas públicas.
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