Bruno Rizzi
Bruno Rizzi Mais sobre o autor

Bruno Rizzi é sócio da consultoria Fatto Inteligência Política e analista político com mais de 10 anos de experiência. Com passagens pela gestão pública e pelo mercado financeiro, é especialista em conectar o setor privado às dinâmicas da política. Possui MBA pela FGV e é pós-graduando em História, Política e Sociedade pela Escola de Politica e Sociologia de São Paulo.

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TSE revisa regras para pesquisas antes do início do período de campanha

Reunião com institutos discute transparência, critérios técnicos e boas práticas após decisões que ampliaram o debate sobre pesquisas

Por
Kassio Nunes Marques
(Foto: Luiz Roberto/TSE)

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) promove nesta terça-feira uma reunião com representantes dos principais institutos de pesquisa para discutir possíveis ajustes nas regras que orientam a realização e a divulgação de levantamentos eleitorais. A iniciativa, conduzida pelo presidente da Corte, ministro Cássio Nunes Marques, ocorre em meio ao aumento das disputas judiciais envolvendo pesquisas e à proliferação de novos institutos às vésperas do período eleitoral.

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O encontro contará também com a participação do vice-procurador-geral eleitoral, Alexandre Espinosa, e terá como foco temas como a transparência dos questionários, o uso de ferramentas digitais, os critérios de divulgação dos levantamentos e a definição de boas práticas capazes de reduzir eventuais influências sobre as respostas dos entrevistados. Os institutos defendem, por sua vez, aperfeiçoamentos no sistema de registro das pesquisas e um diálogo mais permanente com a Justiça Eleitoral.

A reunião acontece pouco mais de um mês após o TSE determinar a suspensão da divulgação de uma pesquisa da AtlasIntel, decisão tomada após questionamentos apresentados pelo PL. O levantamento ganhou repercussão por incluir referências aos áudios divulgados pelo Intercept Brasil envolvendo Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro, episódio que acabou judicializado. O mérito da ação deverá voltar à pauta da Corte após o recesso do Judiciário, quando também se intensifica o calendário eleitoral.

Embora a pesquisa permaneça acessível para consulta, a decisão impede sua divulgação oficial. Em levantamentos posteriores, a AtlasIntel deixou de apresentar a série histórica com os números da pesquisa suspensa, preservando apenas a evolução gráfica dos resultados. A medida foi interpretada como uma forma de cumprir a determinação do TSE e evitar que a reprodução dos dados fosse entendida como uma nova divulgação do conteúdo suspenso.

O movimento do TSE também coincide com iniciativas adotadas pelos próprios institutos. A Quaest, por exemplo, anunciou recentemente que não realizará pesquisas contratadas por agentes políticos ou partidos durante o período eleitoral deste ano. A decisão foi apresentada como um compromisso voltado ao fortalecimento da credibilidade e da independência metodológica, em um cenário de crescente questionamento sobre a imparcialidade dos levantamentos.

A discussão vai além do caso específico da AtlasIntel. O aumento das empresas que produzem pesquisas eleitorais transformou o mercado nos últimos anos e ampliou o debate sobre padronização, fiscalização e critérios técnicos.

Se em eleições passadas o cenário era dominado praticamente por Ibope e Datafolha, hoje há uma diversidade muito maior de institutos, cada um com metodologias próprias. Diante desse novo ambiente, o TSE busca estabelecer parâmetros mais claros para aumentar a transparência, reduzir disputas judiciais e reforçar a confiança pública nas pesquisas eleitorais.

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