Ibovespa despenca e dólar vai a R$ 5,10 com o impacto do “tarifaço” de Trump e desconfiança fiscal

Bolsa perde mais de 2.100 pontos em dia amargo de fuga de risco internacional e avanço dos juros futuros

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(Foto: Divulgação/B3)

O mercado financeiro doméstico viveu um dia de forte estresse e aversão ao risco nesta quinta-feira (16/07), com o Ibovespa despencando 1,24%, aos 173.825,27 pontos, após a oficialização das tarifas de 25% impostas pelo governo de Donald Trump a produtos brasileiros.

A consumação do “tarifaço” da Casa Branca acionou um movimento de liquidação de ativos na B3, que perdeu 2.185,63 pontos na sessão. O pessimismo com a balança comercial exportadora somou-se à crescente desconfiança dos investidores em relação à condução da política fiscal no Brasil, provocando uma forte alta nos contratos de juros futuros (DIs) e elevando o índice de volatilidade local (VIX) em 3,24%, para os 19,12 pontos.

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A pressão vendedora já se impôs na abertura dos negócios e ganhou tração com o recuo das ações da Vale (VALE3), um dos papéis de maior peso no índice, que operaram penalizadas pelas incertezas comerciais globais. No ambiente corporativo doméstico, a Ânima Holding (ANIM3) ensaiou uma recuperação técnica ao subir 8,81% (cotada a R$ 2,10), após o tombo histórico de mais de 32% no pregão anterior. Na ponta oposta, as units da Oncoclínicas (ONCO11) desabaram 20,00%, liderando as maiores baixas da jornada de negócios ao lado da Gafisa (-10,00%), enquanto os papéis da Copel (CPLE3) recuaram 2,86% em dia de forte liquidez.

O avanço do dólar comercial refletiu o cenário de forte tensão cambial e fechou em alta de 0,40%, cotado a R$ 5,098 na venda. A moeda norte-americana encontrou mínima de R$ 5,082 e atingiu máxima intradia de R$ 5,113, impulsionada pela busca generalizada de proteção no mercado futuro.

A reação negativa do mercado à taxação promovida pelos EUA superou os ajustes de curto prazo e atingiu diretamente a curva de juros doméstica. Com a perspectiva de retaliações comerciais por parte do governo brasileiro e potenciais impactos na inflação e no crescimento econômico do país, investidores precificaram maior prêmio de risco nos vencimentos de juros futuros. A desconfiança fiscal também pesou no comportamento do real, que perdeu terreno globalmente mesmo em um dia de fluxo contido de notícias macroeconômicas nos EUA, fixando o câmbio nominal no patamar de R$ 5,10.

O forte recuo do Ibovespa consolida a perda de suportes importantes, sinalizando que a barreira imposta pelas tarifas de Trump deve forçar uma revisão das projeções de lucros das grandes companhias exportadoras brasileiras. A consolidação do dólar ao redor de R$ 5,10 aponta que a pressão das barreiras comerciais norte-americanas continuará ditando o piso para as cotações de câmbio nas próximas sessões.

Leia mais: Novo tarifaço afeta 26% das exportações brasileira aos EUA, avalia CNI

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