O governo federal está desenhando uma nova rodada de assistência financeira voltada para empresas exportadoras atingidas pela sobretaxa de 25% oficializada pelos Estados Unidos. O pacote de socorro financeiro, contudo, deve ser mais concentrado e com um montante inferior aos R$ 15 bilhões disponibilizados em março para o Plano Brasil Soberano.
A equipe econômica pretende ouvir os representantes das atividades produtivas afetadas antes de definir o volume de recursos e as regras de concessão das linhas de crédito. A estratégia é recalibrar os mecanismos que já foram testados anteriormente e direcionar os repasses especificamente a quem comprovar perdas decorrentes da barreira alfandegária, respeitando os compromissos fiscais vigentes.
Redirecionamento e setores prioritários
O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) projeta que o tarifaço norte-americano alcançará cerca de 18% de tudo o que o Brasil exporta para os Estados Unidos, atingindo aproximadamente 2.400 empresas. O impacto financeiro estimado é de US$ 7,4 bilhões, tendo como referência os dados comerciais de 2024.
O atendimento prioritário do novo plano de auxílio governamental contemplará as seguintes áreas:
- Madeira;
- Móveis;
- Calçados;
- Açúcar;
- Produtos cerâmicos;
- Máquinas e equipamentos elétricos.
Operação e frentes de suporte
Para operacionalizar a ajuda financeira e buscar mitigar o impacto da barreira tarifária, o governo contará com a atuação conjunta do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) e da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI).
Além da oferta de linhas de crédito subsidiadas, o plano prevê o incentivo para que as empresas nacionais busquem novos mercados consumidores no exterior para escoar a produção que antes era enviada aos Estados Unidos. Como as contratações vigentes do programa atual do BNDES vencem em 22 de julho — mesmo dia em que as novas taxas americanas passam a ser cobradas —, o Executivo analisa a edição de uma nova medida provisória para reajustar prazos e critérios de acesso aos recursos.
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