Tarifaço de Trump vira arma eleitoral e acirra disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro

Governo e oposição disputam a narrativa sobre a responsabilidade pela sobretaxa de 25% imposta pelos Estados Unidos, enquanto pesquisas indicam impacto na percepção do eleitorado

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Montagem com Lula e Flávio Bolsonaro
(Fotomontagem: Ricardo Stuckert e Divulgação)

A sobretaxa de 25% anunciada pelo governo dos Estados Unidos sobre parte dos produtos brasileiros tornou-se um dos principais temas da campanha presidencial de 2026 e intensificou a disputa entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, e o senador Flávio Bolsonaro (PL), apontado como principal nome da oposição.

Além dos impactos econômicos, o tarifaço passou a ser explorado politicamente pelos dois lados. O governo busca associar a medida à atuação de Flávio Bolsonaro junto à administração de Donald Trump, enquanto a oposição sustenta que a sobretaxa é consequência da condução da política externa e das negociações comerciais do governo Lula.

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No campo governista, a estratégia é reforçar o discurso de defesa da soberania nacional. O PT intensificou o uso do slogan “Tariflávio taxou você”, acusando o senador de ter atuado em favor de interesses políticos ligados à família Bolsonaro em detrimento da economia brasileira. O Planalto também destaca medidas para reduzir os efeitos da sobretaxa sobre empresas exportadoras e preservar empregos.

Flávio Bolsonaro tenta inverter a narrativa ao atribuir a responsabilidade ao governo federal. O senador passou a chamar o PT de “Partido do Tarifaço”, afirmando que a sanção seria resultado da deterioração das relações diplomáticas entre Brasília e Washington. Segundo sua versão, a viagem aos Estados Unidos teve como objetivo defender empresas brasileiras e buscar o adiamento das tarifas.

A crise também repercute dentro da oposição. A atuação de Flávio recebeu críticas de setores do centro e da direita, que avaliam que sua estratégia não produziu resultados práticos e ampliou o desgaste político em torno do episódio. Ao mesmo tempo, pré-candidatos de centro, como Ronaldo Caiado (PSD), tentam explorar o tema, defendendo maior diversificação dos parceiros comerciais do Brasil e uma postura menos polarizada na condução das relações internacionais.

Outro aspecto do debate envolve a motivação da decisão americana. Enquanto o governo brasileiro sustenta que o tarifaço tem forte componente político e representa pressão sobre instituições brasileiras, o governo dos EUA afirma que a medida decorre de uma investigação comercial sobre práticas consideradas desleais e da falta de avanços nas negociações bilaterais.

Pesquisas recentes indicam que a maioria dos brasileiros acredita que a sobretaxa terá efeitos negativos sobre a economia e o custo de vida, reforçando a importância do tema na campanha eleitoral. O episódio pode influenciar a percepção dos eleitores sobre os principais candidatos, tornando o tarifaço um dos assuntos centrais da disputa pelo Palácio do Planalto.

Leia mais: Governo diz que aplicará reciprocidade “no tempo adequado” e promete apoio a setores afetados por tarifas dos EUA

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